No Media Player: Cheek to cheek, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, clássica; Tema de Amor, Marisa Monte, suave como a voz de Marisa; As curvas da estrada de Santos, Paula Toller, música de Roberto na voz dos outros é mais bonita; Nossa canção, Vanessa da Mata, idem; Eu preciso te esquecer, Claudia Telles, música-balada das antigas; If you leave me now, Ive Mendes, bela roupagem para o clássico do Chicago e Velha infância, Tribalistas, velhas lembranças de tempos idos.
Leia Mais…sábado, 20 de dezembro de 2008
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Poesia numa sexta à noite
Viagem
A viagem de avião sempre é chata para mim. Quando estou sozinho, eu durmo ou leio. Mas com as pequenas é preciso ficar alerta em tempo integral. Nosso vôo atrasou uma hora e meia. Mas foi tranqüilo. Chegamos em São Paulo às 10 da noite e em Campinas um pouco mais de meia-noite. A Ana Clara, sentindo a diferença de lugar e de fuso, foi dormir às cinco da manhã. Quero ver se nesses vinte dias de férias curto as meninas mais do que consigo em tempos de trabalho. Toda máquina tem de parar para a manutenção. O ser humano inclusive. Hora da manutenção do trabalho e de funcionar a todo vapor com a família. Minha memória nega a me dizer quando foi a última vez que dormi até onze da manhã.
Leia Mais…terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Administrar a coisa pública
Publicado no jornal "Em Tempo", em 18.12.2008.
Sou uma pessoa que crê que sempre se deve aprender com as experiências. Não vejo sentido em ser diferente. Somos produtos do que temos sido e, portanto, estamos em contínuo processo de transformação pessoal nos vários âmbitos.
Durante três anos fui subsecretário de educação do município de Manaus. Foi um período de aprendizado nos aspectos administrativo, político, pessoal e profissional. Aprender é mudar comportamento e, nesse sentido, aprendi bastante.
Aprendi que administrar é decidir. Para a decisão, quanto mais ouvir as pessoas ligadas às questões envolvidas, melhor. Mais subsídios se tem para tomar a decisão. Mas aprendi também que ouvir as pessoas não significa cair num democratismo que requer que se vote toda e qualquer decisão. Isso é tão ruim quanto decidir sem ouvir ninguém. Quem está num lugar de gestor tem de chamar para si as responsabilidades do cargo. Não há vácuo no poder, diz o truísmo. Se não se ocupa o lugar de poder legitimado alguém vem e ocupa. Aqui se encontra uma das questões fundamentais: decidir é optar e quando se opta contempla-se alguém e pretere-se alguém. Conseqüência: ninguém administra sem decidir e ninguém decide sem descontentar. Os descontentes, por sua vez, vão gerar e fazer circular versões, muitas vezes convenientes, que vão parafrasear a idéia de que o gestor é autoritário, uma vez que sua decisão não os contemplou. Caso o fizesse, claro, seria vista como democrática.
Qualquer escolha dentre um leque de opções gerará descontentamento. Ao gestor cabe escolher de acordo com o regramento legal e suas convicções e agüentar a reação. Ela sempre vem. Não há, repito, decisões sem reações. Um administrador deve estar ciente de que suas decisões vão gerar memória, positiva ou negativa, sob sua passagem pela administração. Críticas são inerentes a quem decide.
Falei em seguir o regramento legal. Administrar e decidir nas possibilidades da lei, nunca fora dela. “Legalista”, já acusarão os preteridos. Junto com as responsabilidades políticas de qualquer decisão – aquilo que ela altera na questão social -, vem a responsabilidade legal sobre ela. Na época em que discutíamos o Plano de Cargos dos professores, lembro que o Sindicato exigia a inclusão de merendeiras e vigias das escolas no Plano, algo proibido por Lei. Plano de Cargos do Magistério só pode incluir professores e pedagogos. A vontade política não era contemplada pela legislação. Caso acatássemos a proposta do Sindicato, estaríamos feriando a lei como gestores e pelo não cumprimento da mesma seríamos responsabilizados. Explicar para o Sindicato, no entanto, não foi tarefa fácil.
Resumindo: administrar é decidir. Decidir contemplando as demandas políticas que contemplem a maioria, sustentada pela legislação, e sabendo que a decisão gerará reações e que as reações fazem parte. Quem tem problemas em ouvir, quem não consegue decidir, quem não pensa no ganho coletivo – ainda que isso possa descontentar a uma minoria – quem acredita que as leis são detalhes e quem não sabe lidar com o contraditório no nível do argumento, da divergência com honestidade intelectual, não pode administrar. Aliás, pode. Com danos e riscos. A Ufam vai escolher um novo reitor. Essa reflexão vai nesse contexto.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Linguagens do português brasileiro
Esse vídeo é muito legal. Mostra a diversidade dos portuguêses brasileiros.
Frase do dia
domingo, 14 de dezembro de 2008
Música na tarde de domingo...
No Media Player: Janta, de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Ficou muito gostosa de ouvir; na seqüência, Elephant Gun, Beirut, da trilha de Capitu; When you are gone e Complicated, Avril Lavigne. Comecei a gostar do som da Avril recentemente, ouvindo no rádio do carro.
Leia Mais…sábado, 13 de dezembro de 2008
Clara vê o rio escuro...
Clara, à margem do Rio Negro. Foto: Sérgio Freire
O rio corre, negro, desde sempre. O barco pára, pausa da labuta. A menina Clara pensa sobre o rio escuro: "para onde ele corre?". O pai, fotógrafo, suspira: no rio da vida, minha menina um dia seguirá seu curso. É o caminho. Desde sempre. E sua imagem criança, carente de mim, registrou-se. Na foto, na retina, na memória, no coração. Assim deve ter pensado Deus ao olhar o Rio Negro quando o fez.
Leia Mais…
Longe Perto
A etimologia nem sempre é o único lugar para começar, mas é um lugar. Rezam os registros dos deuses da lingüística que a palavra “irmão” vem do latim “germen", semente. Irmão seria, portanto, aquele vem da mesma semente. Quando falamos em “semente”, que também é uma palavra latina, nos referimos à origem. Qualquer pessoa mais sensível para as belezas do mundo sabe que a semente aqui referida não se limita à origem biológica, mas a origem enquanto lugar de partida, o ninho.
Irmão para mim é aquele que sai do mesmo lugar, simbolicamente falando. Aquele que, mesmo divergindo nos caminhos, converge em princípios e em bem-querer não só para os conterrâneos de origem, mas todos os bons do mundo. Irmão chora junto e enxuga as lágrimas. Estoura a champagne e faz o churrasco da vitória. Irmão segreda segredos secretos. Irmão é cúmplice. Na fala. No silêncio. Na arte. Irmão sente a presença da ausência do outro.
Fico pensando se fosse filho único. Não ter irmão para mim é um non-sense, um não sentido. Com quem aprender a dividir? De quem sonegar no egoísmo infantil? Na cabeça de quem bater o martelo de madeira? A quem recorrer nas ausências da alma? Ser irmão é falar, mesmo no silêncio. É estar presente, mesmo na distância. É compartilhar as coisas boas do mundo e puxar da lama das ruins, quando atolamos. Ser irmão é ter códigos secretos, impenetráveis. Uma linguagem criada pela história de vida que não é compreendida por nenhum forasteiro, por mais atento que seja.
Irmão protege. Ou sendo escudo, para receber em si as pedras da existência, ou abrindo a porta, para que nosso aprendizado se dê calejando os pés em caminhos não tão macios, mas necessários no crescimento do ser. Ser irmão é dizer o que é preciso, com o carinho e a verdade dos que amam. Ser irmão é ouvir o que é necessário: ninguém que nos ama nos diria algo se não fosse exclusivamente para nos ver bem. A vida nos põe junto dos irmãos por um motivo. Ela os escolhe para nós. O segredo da felicidade é compreender as razões secretas desse quebra-cabeça. Descobrir o que aprender com cada irmão.
Segundo os dicionários, há os irmãos de leite: indivíduos amamentados pela mesma mulher que é mãe de um e ama do outro; os irmãos uterinos: irmãos filhos da mesma mãe e de pais diferentes; os irmãos consangüíneos: irmãos filhos do mesmo pai e de mães diferentes; os irmãos germanos: irmãos filhos do mesmo pai e da mesma mãe; os irmãos adotivos, que Deus escolhe a dedo, e os irmãos siameses: biologicamente grudados. Irmão, para mim, resume-se ao siamesismo de alma. É a alma grudada que faz com que, nas nossas diferenças, sintamos a presença dos irmãos em nós, na nossa vida, na nossa existência.
Hoje é aniversário de um dos meus quatro irmãos. Pensei nele e no quanto dele há em mim. Eu seria menos eu se não o tivesse tido. Caminhos bifurcam e se encontram sempre lá na frente. O poeta T.S. Eliot diz: “E, ao final de nossas longas explorações, chegamos ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez”. O poeta Nilson Chaves reza na música que dá título a este texto: “Toda vez que eu viajar é sinal que estou aqui e quando estiver por lá quer dizer: nunca parti. A vontade de voltar não impede a de seguir. E, por onde quer que eu vá, estarei vivendo em ti”. Vale para lugares. Vale para pessoas. Te amo, mano.
Poesia
Sou um ser da prosa, não da poesia. Ainda que por vezes me arrisque num soneto, como esse abaixo, em que o eu-lírico reclama das paixões que passam batidas:
RAQUITISMO
Quero viver paixões intensamente
Quero morrer de amores se possível
Quero entregar meu corpo, minha mente
É imperioso, é justo e é crível
Quero dormir de tanto amar de dia
Quero acordar pra tanto amar de noite
Quero um amor que chegue e que me açoite
E que me ache quando eu me perdia
Não tenho como viver tua paixão
Não tenho como eu tomar tua mão
Não vou ser eu a te servir a ceia
Sou responsável pelo que restou
Mas responsável sei que eu não sou
Do raquitismo da paixão alheia...
Fotografia
Por ser traumatizado pela falta de fotos de minha infância, comprei uma Nikon D-50 quando minha primeira filha, Clara, nasceu. Desde então, sou paparazzi de minhas filhas. Aprendi a gostar de fotografia, um hobby caro, mas muito legal. Recomendo o curso em CD da National Geographic para os que quiserem começar na coisa. Navegando por aí, cheguei ao site do Tommy Ga-Ken Wan, fotógrafo baseado em Glasgow. Esse Tommy tem cada foto que um obra-de-arte. Um dia, quem sabe, em chego lá... Confira no seu site.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
9a. Feira do Livro de Ribeirão Preto

Fui convidado para estar na 9a. Feira do Livro de Ribeirão Preto, no ano que vem. A Feira de 2009 homenageia o Amazonas. Estive na 8a e foi muito boa. A assessoria de imprensa da Feira me pediu uma foto para divulgação. Mandei essa aqui post. Ficou legal. A foto é da Bia. Por algum tempo vai ser minha foto oficial de divulgação. Já deu para notar que já estou usando no perfil, certo? Até parece de escritor mesmo...
Música na sexta à noite...
No media player rola a melancólica e bonita E não vou deixar você tão só, Liah. Na seqüência: Don't worry, be happy, Mart'Nália; Broken Hallelujah, Rufus Weinwright; Complicated, Avril Lavigne.
Leia Mais…Discurso: o sentido acha suas formas.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.
Jornal do Brasil
Entre as resoluções do AI-5, suspendia-se os direitos políticos, e proibia-se atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado. Para garantir a ordem, os quartéis mantiveram-se em rigoroso regime de prontidão, e mobilizaram-se integralmente as Polícias Federal, Militar, Civil e a Guarda Civil.
O ano de 1968 foi de grandes protestos contra o regime militar. No início do ano, artistas de teatro mobilizaram-se contra a censura. Em março, uma manifestação universitária no restaurante Calabouço terminou na morte do estudante Edson Luís. Greves e passeatas eclodiram em todo o país, culminando com a passeata dos 100 mil, em junho, no Rio.
Atentados, expropriações, paralisações prosseguiram no segundo semestre em diversas partes do país. Um dos momentos mais tensos foi o discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no início de setembro, conclamando a população a boicotar os eventos programados para o Dia da Independência. A declaração elevou ao máximo o descontentamento dos militares, que pediram a cassação do deputado. O pedido foi rejeitado pelo Congresso (216 votos contra, 141 a favor e 24 abstenções) na véspera da instauração do AI-5.
Anos de chumbo e a censura
Nos dez anos de vigência do mais cruel dos Atos Institucionais, sua fúria consternou a sociedade brasileira e internacional. Impondo-se como um instrumento de intolerância aos contestadores do regime militar, promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões perseguições e até confisco de bens.
A censura federal, recrudescida, atuou veentemente na interdição de mais de 500 filmes, 400 peças de teatro, 200 livros, e milhares de músicas. Tudo sob a égide da segurança nacional.
Roberto Quintaes era um dos copidesques do JB presentes naquela noite. É ele quem conta a história no blog do Pedro Doria.
O Editor-Chefe Alberto Dines, por volta da meia-noite, procurava soluções, com o Chefe de Redação Carlos Lemos, para as muitas intervenções dos militares que haviam ‘ocupado’ o JB naquela noite.
O editorial foi substituído por uma foto, vertical, em que o campeão mundial de judô era derrubado pelo seu filho, brincadeira doméstica. Muitas outras fotos com legendas ambíguas substituíram textos vetados.
Num certo instante, Dines me pediu que recriasse a previsão do tempo, usando o 5 do Ato Institucional e o 37 do Ato Complementar assinados naquele 13 Dezembro.
E saiu então a seguinte ‘previsão’:
Tempo negro. Temperatura sufocante. O país está sendo varrido por fortes ventos. Mínima – 5 graus, no Palácio Laranjeiras. Máxima = 37, em Brasília.
A primeira página foi vista e revista pelos militares ainda com a previsão do Serviço de Meteorologia. A ‘previsão0′ de que aqui se fala foi incluída na capa do JB depois de todos os vetos dos militares terem sido executados. A atenção deles não mais pousou, ao final, sobre a previsão do tempo, … e fez-se história.
Contardo Calligaris
Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo, ontem:
Zoé e o demônio do meio-dia
O demônio do meio-dia é o tédio moderno, efeito de um mundo com poucos mistérios |
DESDE PEQUENA, Zoé, 9 anos, adora filmes e histórias de terror. Seus pedidos espantam a moça da locadora de DVDs, que, provavelmente, duvida da sanidade mental dos pais.
De fato, Zoé assiste com prazer a filmes que, às vezes, deixam insones seu irmão mais velho, suas baby-sitters e mesmo sua mãe. Talvez Zoé seja cinéfila a ponto de assistir aos ditos filmes com o distanciamento de um crítico dos "Cahiers du Cinéma". Ela desmontaria os "truques" destinados a produzir espanto nos espectadores e, com isso, os filmes lhe proporcionariam uma experiência parecida com a de um bom exorcista: ela venceria o mal desvendando seus estratagemas.
Mas a paixão de Zoé pelas histórias de terror tem outra explicação possível, que me apareceu quando Zoé quis que sua festa de aniversário fosse o cenário de um filme.
Com a ajuda de um cineasta amigo da família, Zoé e seus convidados foram co-autores e protagonistas de um curta que, claro, é a história do aniversário de uma menina, durante o qual um monstro diabólico e sedento de sangue etc.
Graças ao filme (que, aliás, é bem legal) pensei o seguinte: talvez Zoé queira sobretudo convencer-se de que sempre, mesmo no dia ensolarado de seu aniversário, há zonas de sombra, por onde andam seres repugnantes e perigosos. Alguém perguntará: "Mas por que ela gostaria de pensar assim?"
Pois é, eu acho que essa idéia é, para qualquer um, uma fonte de alívio. Explico por quê.
O Salmo 90 (na numeração Clementina) expressa a esperança de que Deus nos guarde tanto das abominações "que circulam pelas trevas" quanto "do demônio do meio-dia". Sobre o tal demônio do meio-dia muito foi escrito e dito: diferente dos diabos que se escondem nos cantos escuros, o que será esse malefício que nos espreita justamente quando o sol está no zênite e o mundo nos aparece sem sombras?
Uma leitura moderna diz que o demônio do meio-dia não é um bicho do inferno, mas é um sofrimento insidioso, específico de uma época em que faltam cantos escuros.
Ele é nossa própria tristeza, a depressão e o tédio produzidos por um mundo com poucas sombras e poucos mistérios.
Em outras palavras, as luzes da razão e da ciência acabaram com aquele sentido que só uma transcendência (divina ou diabólica, benéfica ou maléfica, tanto faz) podia conferir à vida. Por excesso de luz, em suma, o mundo perdeu seus horrores, mas também seu encanto; com isso, é preciso que Deus nos proteja do demônio do meio-dia, ou seja, do tédio e da tristeza.
Ao inventar cantos escuros e ao povoá-los de "troços" inquietantes, Zoé está se protegendo contra o demônio do meio-dia -com toda razão, pois esse é provavelmente o mais pernicioso de todos. Muito melhor se deparar com Freddy Kruger do que não achar graça no mundo.
"Filosofia do Tédio", de Lars Svenden (Zahar), é uma brilhante meditação sobre a dificuldade moderna em nos interessarmos pela vida, uma vez que ela não é mais justificada pela palavra divina ou por nossa luta heróica contra os "troços" que circulam pelas trevas. Para Svenden, contra o tédio, ainda não inventamos nada melhor do que o remédio do Romantismo: uma mistura de anestesia (drogas lícitas e ilícitas) com transgressões que deveriam provar que estamos vivendo grandes aventuras e experiências "incríveis". Se for para escolher, prefiro os esforços de Zoé para repovoar o mundo de monstros e demônios.
Mas há uma terceira via. Li, nestes dias, "O Olho da Rua", de Eliane Brum (Globo). Brum, repórter especial da revista "Época", reúne dez grandes reportagens escritas entre 2000 e 2008. Fazia tempo que um livro não me tocava tanto. Que Brum fale das parteiras do Amapá, da guerra em Roraima, dos velhos da casa São Luiz para Velhice, ou mesmo que ela acompanhe o fim da vida de uma paciente terminal, seu texto é uma verdadeira alegria - pois ele nos lembra, simplesmente, que o mundo importa, que ele vale a pena. Como ela consegue?
O tédio moderno é uma forma de arrogância: a vida é chata porque nós seríamos maiores que sua suposta trivialidade insossa; tendemos a menosprezar o cenário onde nos toca viver, como se ele fosse demasiado banal para nossas façanhas. Pois bem, o segredo de Brum é o oposto disso, é uma extraordinária humildade diante do que existe.
Quando Zoé cansar de inventar monstros para dar sentido ao mundo e à vida, vou lhe sugerir o livro de Eliane Brum. Leia Mais…
Um texto antigo para recordar...
Texto de 2002, era de turbulência afetiva. Descobri que você só pode amar desprendido dos amores que se foram. Hoje amo na plenitude porque entreguei o que não era mais meu.
Um penetra de fé
Uma vez uma aluna perguntou, durante um curso de Introdução à Análise de Discurso, se eu acreditava em Deus. Eu disse que sim e ela rebateu dizendo que eu estava sendo incoerente com a teoria do discurso. Eu disse a ela que não. Primeiro porque nossa relação com Deus no plano da intimidade não dá para ser explicada por nenhuma teoria. Por isso é fé. Segundo, aí já no campo da teoria que explica o funcionamento de um discurso religioso, o fato de eu saber como é produzido esse regime de verdade não torna essa verdade menos verdadeira para mim. Não sei se ela se convenceu, mas eu estou convicto da minha relação com Deus, relação que andou meio abalada, confesso publicamente.
Andei meio distante de Deus nesses últimos tempos. Usei as desculpas de praxe: pouco tempo, os padres estão chatos, a missa é muito longa e repetitiva, o Artur Neto é um puxa-saco do FHC, o Equador vai jogar com a Croácia, enfim, mil desculpas.
Nesse aspecto, Deus é legal, pois Ele não nos força a nada. É como disse há muito tempo o Pe. Cânio Grimaldi, personal father da nossa família: as coisas do espírito não podem ser obrigadas. Então, se você está a fim de chegar perto de Deus, ser afagado, lá está Ele, tal qual nossa mãe. Chamá-lo de Pai é herança do patriarcado dos hebreus. Ele é mais mãe. Se você se afasta, busca outros rumos, outras prioridades, Ele não reclama. Aliteração necessária: Deus deu a dádiva do livre arbítrio foi para isso. Mas mais cedo ou mais tarde, quem d'Ele sentiu o carinho volta.
Eu voltei um pouco hoje. Um muito. E como um católico básico, um-ponto-zero, voltei porque estava angustiado, perdido, dolorido com as coisas que a vida traz. O católico-padrão age assim: só volta estropiado, feito menino-barrigudo que não ouve conselhos. Hoje eu estava assim. Entre as várias coisas que me ocorreram fazer para minimizar minha angústia, entre algumas opções sensatas e outras nem tanto, estava a de entrar numa igreja e rezar. Entrar, sentar lá no banco de trás e rezar. Visitar um velho amigo. Tomar um cafezinho, perguntar pelos seus.
Parei e estacionei. Nem me importei com o flanelinha pedindo para "reparar o carro", coisa que geralmente me irrita. Concordei e fui. Na verdade, acabei me convidando para uma missa de 15 anos que estava para começar. Peguei o boletim personalizado que todas as missas de 15 anos têm, ajoelhei meio sem jeito no fundão, deslocando até o menisco por falta de calo. Afrouxei o nó da gravata, dos desejos, dos receios. Calei a voz, e fechei os olhos. Dispus-me a lamber o chão dos palácios e castelos suntuosos dos meus sonhos, como na receita de Gilberto Gil.
Fui muito bem recebido, senti uma paz de espírito que não sentia desde que, ainda limpo da vida suja e mesquinha de cada dia, fiz minha primeira comunhão num domingo ensolarado na Igreja de Aparecida. Parece que Ele estava me esperando. Até a leitura impressa no boletim parecia conter, acima do texto, um post-it amarelinho colado e escrito à mão: "Para o Sérgio".
A festa era para a Érika, felicíssima, e para mim, tristíssimo. Ela, 15 anos de vida. Eu, 15 anos de ausência. Ok, uma missa aqui, outra ali, Natal, Páscoa, mas nada tão inclusivo quanto à época em que fazia parte do grupo de jovens, da pastoral da música, num ato de nepotismo religioso muito grande do Paulo, meu irmão, que tocava o violão. Eu carregava o violão. Mas carregava com uma fé!
As músicas eram só músicas "do meu tempo". Ave-Maria do Pe.Zezinho, Renova-me, Fica sempre um pouco de perfume, Utopia. De repente eu voltei no tempo, vi-me criança no catecismo do sábado à tarde. Senti a mão da minha vozinha correndo por entre meus cabelos, sentindo que ela olhava ternamente para mim com seus olhos infinitamente azuis e seu sorriso lindo e contornado por seu batom vermelho que deixava uma cicatriz de amor em nossas bochechas a cada beijo. Era como ela fazia naquelas tardes de sábado. Teria sido um anjo? Minha vó era um anjo. Eu senti, juro. Pensei comigo: "Meu Deus, que paz!". Alguém respondeu sorrindo: "Eu sei".
Fiquei ali por mais de uma hora. Não queria mais sair. Entrei pesado, triste, amargo, quebrado, sozinho. Tudo foi-se no primeiro fechar de olhos. Tudo. Olhei lá frente, pois já tinha recuperado a força para erguer a cabeça, e vi Jesus na cruz. Pensei naquele amor todo. Pensei em quão pequeno se tornara meu problema, minha dor, diante de tal resignação, de tal entrega. Resolvi entregar. Resolvi me entregar. Deixar de ser um humano arrogante, racional, e reconhecer que não estava conseguindo e nem iria conseguir. Descobri que minha dor era fruto de meu egoísmo, de eu querer algo para mim, sem pensar nos outros envolvidos. A leitura falava do manjadíssimo "Amai-vos uns aos outros". Simples, direto. Eu estava no "Amai-me a mim mesmo". Era esse o nó. Desatei. Desatamos. Desataram.
Renovado, como o pedido da música, dei os parabéns para a Érika, para seu Wladimir e para dona Ivone, os seus pais. Devem estar se perguntando até agora quem era aquele rapaz com olheiras profundas, mas tão feliz. Não tive a cara de pau de ficar para os comes & bebes, apesar da idéia ter me passado pela cabeça.
Saí e, na porta, voltei. Esqueci de agradecer a acolhida. Olhei para Jesus na cruz e agradeci. Olhei Nossa Senhora de Nazaré e vi que ela estava feliz, com um sorriso maroto. Era como se dissesse: "Volta, hein!" Voltarei, sim. Cantei para ela a música do Pe. Zezinho, que também parecia ter sido feita para mim. Prometi que a próxima vez não seria só na missa do aniversário de 30 anos da Érika.
Minha mãe Helena me disse que não há amor maior do que o que os pais sentem pelos filhos. Não tenho filhos, mas amo muita gente. E com uma intensidade mil pontos na escala Richster dos amores. O amor por um filho deve, então, ser um amor muito grande mesmo. Mais uma vez vou com a minha gordinha e vou acreditar nela. Até porque hoje eu senti esse amor, como filho. Por parte dela, minha mãe, e na igreja. E re-aprendi que, diferentemente do que a gente aprende no mundo sem Deus, é preciso dar para receber, que meia bolacha na cara não tem graça, pois é preciso dar o outro lado ao bofete. Que amor é doação. É renúncia. É abrir mão. Como quando você solta uma pombinha pela paz. E paz não é utopia. Não busque explicar tudo isso pela razão. Não dá.
Tal qual Abraão, decidi depois dali oferecer e entregar a Deus algo muito especial, tão insubstituível para mim como seu filho Isaac era para ele. E essa renúncia era a razão da minha angústia inicial. Tinha que fazê-la, mas me angustiava, faltava-me algo. Depois dali, passou a angústia, veio o conforto. Lembrei que fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas.
E o conforto é explicável: o aniversário era da Érika, mas quem ganhou um presente fui eu, o penetra: ganhei minha fé de volta. E que presente. Coisa de pai para filho mesmo.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
"Name, name! What's in a name?"
Aqui vai a coletânea de nomes estranhos:
Abrilina Décima Nona Caçapava; Abxivispro Jacinto; Acheropita Papazone; Adolpho Hitler de Oliveira; Adoração Arabites (masculino); Agrícola Beterraba Areia Leão; Alce Barbuda; Aldegunda Carames More (masculino); Aleluia Sarango; Alfredo Prazeirozo Texugueiro; Alma de Vera; Amado Amoroso; Amin Amou Amado; Amor de Deus Rosales Brasil (feminino); Andrés Urdangarin Dorronsoro; Antônio Americano do Brasil Mineiro; Antonio Buceta Agudim; Antônio Cacique de New York (juiz-presidente do TRT da 22ª Região); Antonio Camisão; Antonio Dodói; Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado; Antonio Melhorança; Antonio Noites e Dias; Antônio P. Testa; Antonio Pechincha; Antônio Querido Fracasso; Antonio Treze de Junho de Mil Novecentos e Dezessete; Aricléia Café Chá; Arnaldo Queijo; Asteróide Silverio; Audifax.
Bailão Fernandes da Silva; Bananéia Oliveira de Deus; Bandeirante Brasileiro Paulistano; Barrigudinha Seleida; Benedito Autor da Purificação; Benedito Camurça Aveludado; Benedito Froscolo Jovino de Almeida Aimbare Militão de Souza; Benvindo Viola; Bispo de Paris; Bizarro Assada; Boaventura Torrada; Bom Filho Persegonha; Brandamente Brasil; Brígida de Samora Mora Belderagas Piruégas de Alfim Cerqueira Borges Cabral; Bucetildes (chamada, pelos familiares, de Dona Tide).
Cafiaspirina Cruz; Caius Marcius Africanus; Capote Valente e Marimbondo da Trindade; Carabino Tiro Certo; Carlos Alberto Santíssimo Sacramento Cantinho da Vila Alencar da Corte Real; Caso Raro Yamada; Céu Azul do Sol Poente; Chananeco Vargas da Silva; Chevrolet da Silva Ford; Chikakó; Cincero do Nascimento; Cinconegue Washington Matos; Clarisbadeu Braz da Silva; Colapso Cardíaco da Silva; Comigo é Nove na Garrucha Trouxada; Confessoura Dornelles
Danúbio Tarada Duarte; Darcília Abraços de Carvalho Santinho; Deus Infinitamente Misericordioso; Deusarina Venus de Milo; Devercilirio Silveira da Costa; Dezêncio Feverêncio de Oitenta e Cinco; Dignatario da Ordem Imperial do Cruzeiro; Disney Chaplin Milhomem de Souza; Dosolina Piroca Tazinasso
Ernesto Segundo da Família Lima; Esdras Esdron Eustaquio Obirapitanga; Esparadrapo Clemente de Sá; Espere em Deus Mateus (Itabirito, MG); Estácio Ponta Fina Amolador; Excelsa Teresinha do Menino Jesus da Costa e Silva
Faraó do Egito Sousa; Farmácio Lopes; Fedir Lenho; Felicidade do Lar Brasileiro; Finólila Piaubilina; Flávio Cavalcante Rei da Televisão; Fordência da Silva; Francisco Notório Milhão; Francisco Zebedeu Sanguessuga; Francisoreia Doroteia Dorida; Fridundino Eulempio
Graciosa Rodela; Gravitolina Pereira; Guelery Borges
Hericlapiton da Silva (de Eric Clapton); Heubler Janota; Hidráulico Oliveira; Himineu Casamenticio das Dores Conjugais; Homem Bom da Cunha Souto Maior; Horinando Pedroso Ramos; Hugo Madeira de Lei Aroeira; Hypotenusa Pereira, Hierozolima Formigosa
Inocêncio Coitadinho; Isabel Defensora de Jesus; Itaparica Boré Fomi de Tucunduvá; Izabel Rainha de Portugal
Jacinto Fadigas Arranhado; Jacinto Leite Aquino Rego; Janeiro Fevereiro de Março Abril; Jhansley Ferreira da Mata; João Bispo de Roma; João Cara de José; João Cólica; João da Mesma Data; João de Deus Fundador do Colto; João Meias de Golveias; João Pensa Bem; João Sem Sobrenome; Joaquim Pinto Molhadinho; José Amencio e Seus Trinta e Nove; José Casou de Calças Curtas; José Catarrinho; José Lopes Tamborim; José Machuca; José Maria Guardanapo; José Padre Nosso; José Sudário; José Teodoro Pinto Tapado; Jovelina da Rosa Cheirosa; Juana Mula; Júlio Santos Pé-Curto; Justiça Maria de Jesus
Kêmula Katrine; Kunigunda Grohmann
Lança Perfume Rodometálico de Andrade; Leão Rolando Pedreira; Leda Prazeres Amante; Letsgo (de Let's go); Liberdade Igualdade Fraternidade Nova York Rocha; Lindulfo Celidonio Calafange de Tefé; Liney Lindsay Nascimento de Araujo; Lynildes Carapunfada Dores Fígado
Magnésia Bisurada do Patrocínio; Maicon Jakisson de Oliveira; Manganês Manganésfero Nacional; Manoel de Hora Pontual; Manoel Sovaco de Gambar; Manolo Porras y Porras; Manuelina Terebentina Capitulina de Jesus Amor Divino; Maria Cristina do Pinto Magro; Maria da Cruz Rachadinho; Maria da Segunda Distração; Maria de Seu Pereira; Maria Felicidade; Maria Humilde; Maria Panela; Maria Passa Cantando; Maria Privada de Jesus; Maria Tributina Prostituta Cataerva; Matozóide; Meirelaz Assunção; Mijardina Pinto; Mimaré Indio Brazileiro de Campos; Ministéio Salgado
Naida Navinda Navolta Pereira; Napoleão Estado do Pernambuco; Napoleão Sem Medo e Sem Mácula; Necrotério Pereira da Silva; Novelo Fedelo
Obedemigo Pereira; Oceano Atlantico Linhares; Oceano Pacífico; Ocricócrides de Albuquerque; Olinda Barba de Jesus; Omenzinha; Orlando Modesto Pinto; Orquerio Cassapietra; Otávio Bundasseca
Padre Filho do Espírito Santo Amém; Pália Pélia Pólia Púlia dos Guimarães Peixoto; Pedra da Penha; Pedrinha Bonitinha da Silva; Pedro Bonde; Pelumendia Loureiro; Peta Perpétua de Ceceta; Plácido e Seus Companheiros; Presolpina Furtado; Primeira Delícia Figueiredo Azevedo; Primorosa Santos; Produto do Amor Conjugal de Marichá e Maribel; Protestado Felix Correa
Radigunda Cercená Vicensi; Reimar Rainier de Oliveira; Remédio Amargo; Ressurgente Monte Santos; Restos Mortais de Catarina; Rita Marciana Arrotéia; Rocambole Simionato; Rolando Caio da Rocha; Rolando Escadabaixo; Rômulo Reme Remido Rodó
Sampaio Carneiro de Souza e Faro; Sebastião Salgado Doce; Segundo Avelino Peito; Serdeberão dos Anjos Pereira Vargas; Sete Chagas de Jesus e Salve Patria; Sete Rolos de Arame Farpado; Sherlock Holmes da Silva; Simplício Simplório da Simplicidade Simples; Soraiadite das Duas a Primeira; Sossegado de Oliveira; Spiridon Nicofotis Anyfantis; Sudene Fátima Machado
Telesforo Veras; Terebentina Terepenis; Terprando Wilson Rego; Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho); Trazíbulo José Ferreira da Silva; Tropicão de Almeida
Última Delícia do Casal Carvalho; Último Vaqueiro; Um Dois Três de Oliveira Quatro; Um Mesmo de Almeida; Universo Candido; Usnavy (em homenagem à U.S.Navy, a Marinha Americana)
Valdir Tirado Grosso; Veneza Americana do Recife; Vicente Mais ou Menos de Souza; Vitimado José de Araújo; Vitor Hugo Tocagaita; Vitória Carne e Osso; Voltaire Rebelado de França
E finalmente: Wanslívia Heitor de Paula.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Um texto antigo para recordar...
Este texto escrevi em 2002. Mas é como jornal velho. Já encontrei quem procurava.
CLASSIFICADOS
Aceitam-se contra-propostas. Gentileza, caso haja interesse, procurar no fundo do poço mais escuro da terra. Não precisa marcar hora. Há até uma certa urgência.” Leia Mais…

