
Passados quase quinze dias da posse do prefeito de Manaus, pouco se vê de novo. Paráfrase: muito se vê do velho. As práticas de Amazonino voltaram: nomeações da filha, da filha do desembargador, da irmã do vice, da esposa do também nomeado Sidney Leite. Num típico caso de discurso – em que mudando-se as posições mudam os sentidos – nepotismo virou competência técnica e aclamação popular. “Não há nepotismo em cargos de confiança”, afiançou um advogado do grupo, levando a crer que nepotismo mesmo então só em concursos públicos.
Quem acreditou nas promessas do prefeito começa a ficar desconfiado de que levou sorva por uva. As mil creches (0,7 por dia até o fim do mandato) viraram a promessa de casas de Mãe Social, um programa assistencialista sem cunho pedagógico criado na época de Alfredo Nascimento e que Serafim tinha autorizado a desfazer aos poucos. Creche de verdade, com equipe pedagógica responsável pela educação infantil, como prega a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e como a que construiu Serafim, não dá. “É muito caro”, disse o prefeito, desconhecendo que caro ou não a educação infantil é dever da prefeitura. O turno intermediário não vai acabar nem vai a prefeitura pagar escola particular para quem nele estuda. A razão: é infactível em curto prazo e não há recursos para isso. Nas Zonas Leste e Norte simplesmente não existem prédios para alugar, obrigando a Secretaria de Educação a usar o intermediário até construir.
Por falar em SEMED, a secretária Therezinha Ruiz anulou o pregão do fardamento e do kit escolar. Para mudar as especificações, diz que. Em quatro anos o grupo do Sarafa não aprendeu a especificar cadernos nem fardamento, coitados. A explicação, ridícula para quem conhece um pouco como a coisa funciona, não vai evitar que as crianças iniciem o ano letivo sem a fardinha e sem cadernos. E com intermediário. Tudo como antes.
Na Secretaria de Obras, Américo Gorayeb demitiu 600 laranjinhas. É a urbanidade prometida. O secretário ainda não tapou um só buraco até agora. O prefeito cancelou contratos de construção de escolas – que iriam diminuir o tal do intermediário – e disse que os projetos dos prédios da educação vão voltar a ser gerenciado pela SEMOSB, revertendo a mudança feita por Serafim para dar mais rapidez às construções.
Fato é que a administração de Amazonino Mendes está perdida e não sabe por onde ir. Com os quatro anos de Serafim, a imprensa e os formadores de opinião aprenderam a ler diários oficiais e a cobrar transparência. Amazonino trouxe o mesmo time, que não sabe jogar no campo em que a informação escorre por todo lado. Não há como fazer licitação às avessas ou prender a informação. E a administração atual fica nua. A estratégia de culpar a administração anterior por ter pretensamente deixado a prefeitura um caos já está perdendo o gás. Mas ainda há as costas largas da crise para levar a culpa.
A equipe de Amazonino é, grosso modo, anacrônica. São pessoas – a começar pelo prefeito – que preferem o dominó à Internet. Salvo exceções de sempre, aprenderam a governar antes do advento da era da informação, cujos bits respiramos, e têm dificuldade em administrar fora de seu tempo. Até o Ronaldo Tirantes sentou a ripa no prefeito. Se o Ronaldo Tiradentes fez isso, aí tem. O barco deve estar fazendo água mesmo. E nem saiu do porto de lenha.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Anacronismo administrativo
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O Verbo e a Verba
Na administração pública é importante a afinação entre o verbo e a verba.
O verbo sem a verba é um ser sozinho. Não adianta propagandear que se vai fazer mil coisas se não houver lastro no planejamento e na disponibilidade de verbas para sua execução. Todo administrador sabe que os recursos públicos são finitos e a demanda infinita. O cobertor é maior do que o corpo e é necessário decidir o que será coberto e o que ficará descoberto. Se assim não for, o verbo do anúncio programático da administração logo se tornará pó de promessa não cumprida. Hoje se sabe o que o eleitor faz com quem promete e não cumpre.
A verba sem o verbo também é um ente solitário. Determinar as prioridades de investimento é o básico de qualquer administrador responsável. No entanto, de nada servem o melhor planejamento e a mais transparente execução da verba sem a devida reverberação no verbo, sem a publicização dos feitos administrativos. Aliás, servem de motivo para a verberação da oposição, ainda que medíocre como muitas que a gente conhece.
Como qualquer verbo, o verbo do administrador público requer concordância verbal. Mesmo em posições diferentes, todos os seus auxiliares devem habitar um só discurso, convergindo para a compreensão única do que seja administrar a coisa pública, fazendo política transparente. Todos devem saber das responsabilidades das vozes do coral administrativo. Sem identidade no discurso, a imagem do administrador fragmenta-se, fica difusa. Para os auxiliares desafinados, há duas alternativas: exercitar-se atrás da afinação ou ceder lugar no palco. Uma voz fora do tom põe a perder a mais bela cantata de Bach.
Dentro da lei, os auxiliares do administrador público devem atender as demandas políticas. No entanto, esse atendimento não pode sacrificar os marcos conceituais da administração, pois eles sustentam a imagem criada pelo uso competente da verba, imagem que só vingará com o trabalho da comunicação, do uso competente do verbo.
Mesmo finitas, as verbas públicas bem usadas e acompanhadas de verbos eficientes transformam-se em capital político para o administrador na eleição seguinte. Sem um trabalho de linguagem que traduza os feitos administrativos em sentimento de realização dos anseios populares, o administrador some. No máximo, ficará como uma boa experiência eleitoral.
A utilização incorreta dos recursos públicos pode até ser disfarçada por uma boa propaganda. Mas assim como o consumidor não repete a dose de um produto ruim, o eleitor impõe o ostracismo político ao mau administrador do seu dinheiro.
Por fim, o casamento do verbo e da verba não tem efeito retroativo. Se o administrador usou a verba e não usou o verbo como devia, não adianta encher o eleitor de informações às vésperas do pleito porque, mais do que um produto, imagem é um processo. E se não usou a verba como devia, é inútil usar o verbo em propagandas ou artigos de jornais para dizer que fez e aconteceu porque as palavras tropeçam em suas próprias pernas curtas.
No casamento da verba com o verbo ganham o bom administrador e a população. Na briga da verba contra o verbo perdemos todos.
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domingo, 4 de janeiro de 2009
Adeus a um prefeito singular
José Ribamar Bessa Freire
Prezado Serafim Corrêa (PSB)
Saudações!
Escrevo essa carta, mas não repare os senões, para dizer o que penso sobre a sua administração nestes últimos quatro anos como prefeito de Manaus, uma cidade que, desde a época em que se chamava Lugar da Barra, foi sistematicamente saqueada e pilhada por seus governantes. Quem diz isso não sou eu. É Bertino de Miranda, autor do livro publicado em 1908: ‘A Cidade de Manáos – Sua história e seus motins políticos’.
O rei de Portugal nomeava bandidos para governar a Capitania do Rio Negro. Um deles, Joaquim Tinoco Valente (1763-1779), “homem pobre, avarento e sem instrução”, meteu-se nas “negociatas mais sórdidas e abjetas”, uma das quais foi roubar as “camisas e meias dos soldados que o Rei manda distribuir todos os anos pelas tropas na América”. Esse é o inspirador, o herói, o modelo do Zé Mello Merenda. Depois dele, José Antônio Évora, membro da Junta Governativa (1786), nomeou o filho Felipe Évora almoxarife do Erário. Dessa forma, comprou fazendas de gado e ficou podre de rico.
Era comum dar trambiques e desfalques. José Joaquim Vitório (1806-1818) entrou pobre no governo e, em doze anos, se tornou dono da “célebre chácara no Tarumã, onde explorava os índios na plantação de café e canela. Um escândalo”. Ele roubou, roubou, mas roubou TANTO que Governador Vitório é, hoje, nome de rua, no centro de Manaus, cidade que reverencia e celebra seus corruptos. Foi substituído por Manoel Joaquim do Paço (1818-1821), o governador depravado, chefe da ‘quadrilha de facínoras’, que extorquia os empresários da construção civil (Taquiprati 10/12/96).
De lá para cá, mudou a forma de escolher os governantes. O rei, agora, é o povo, o eleitor, mantido desinformado. Talvez, por isso, não mudou a natureza dos políticos, que continuam usando os cargos para enriquecer. A maior parte deles só quer mesmo é “se arrumar”. Conspurcaram a política. De uma atividade bela e nobre feita por pessoas que dedicam suas vidas ao bem comum – tal como idealizaram os filósofos gregos – a política passou a ser algo asqueroso, o chiqueiro da sociedade. Com isso, mataram as esperanças de jovens idealistas, que hesitam em se enlamear.
O chiqueiro
Em todo o Brasil, políticos eleitos têm problemas com a Justiça e só conseguem tomar posse graças a advogados bem pagos, competentes e inescrupulosos, que contam com a cumplicidade de um Judiciário muitas vezes venal. O currículo deles é folha corrida da policia, cheia de antecedentes criminais. Exagero? De uma lista de 38 vereadores de Manaus, me diga, honestamente, quantos demonstram preocupação com o bem comum, a justiça, o bom governo, a coisa pública? Quatro, três, dois? Pobre Manaus!
Em 2004, Serafim derrotou os velhos esquemas de poder enraizados na sociedade amazonense. Elegeu-se prefeito de Manaus, numa coligação pela mudança social. O que fez? Qual o balanço de sua gestão? A oposição diz que a cidade está esburacada, que a água não chega a vários bairros, que foi um erro nomear seu filho Marcelo Corrêa secretário de articulação política, que Serafim foi um prefeito singular: construiu apenas uma creche, um viaduto, uma maternidade, um centro de educação especial e reformou um cemitério. Tudo no singular.
Numa democracia, esse é o papel da oposição: criticar. Não moro em Manaus, não contei os buracos nas ruas. Aqui de longe não posso ver a árvore, é verdade, mas vejo o bosque, a floresta, que quem está perto não enxerga. Assim, distanciado, me parece que sua singularidade foi outra. Sabe qual foi? Em vez de meter o pé-de-cabra nos cofres públicos para enriquecer, ele tentou promover o bem comum, com erros e acertos, divorciando a política da bandidagem. Isso, no Amazonas, é singular.
O bem comum consiste na defesa dos direitos e deveres do cidadão, sobretudo os mais frágeis, os lascados, os humilhados, os excluídos dos serviços de educação e saúde. Em quatro anos, Manaus se tornou a terceira cidade brasileira em número de alunos na rede municipal de ensino, perdendo apenas para o Rio e São Paulo. São 247 mil crianças, com aulas dadas por mestres valorizados. O professor de 20 horas, nível 1, ganhava R$ 509,00, no início da gestão. Hoje, ganha R$1.095,00, um aumento de 115%, numa inflação acumulada no período de 26,7.
Fala aos moços
E daí, Serafim? Qualquer prefeito pode construir, reformar, ampliar e climatizar as escolas municipais, fornecer merenda, uniforme e kit escolar com uma original borracha socialista, como foi feito (Taquiprati, 02/04/06). Sua gestão escolheu diretores das escolas com base no mérito e não no apadrinhamento de edis trambiqueiros, olhou para os índios urbanos, garantiu um Plano de Cargos para a área da saúde, reformou 158 casinhas do médico da família, implantou o remédio fácil, criou um fundo de previdência para funcionários. E daí? Nada disso teria valor, sem transparência.
Essa foi sua grande singularidade. Todas as contas da Prefeitura estão na internet. È possível saber o credor e o valor recebido, a arrecadação de tributos, fluxo de caixa, pagamentos. A Prefeitura de Manaus, uma das primeiras do Brasil que implantou este serviço, emite nota fiscal eletrônica, criou comissões de licitações, com realização de pregão – um leilão ao contrário - o que gerou uma economia significativa para os cofres públicos. A transparência do pregão eletrônico fez com que empresas de outros estados passassem a disputar a licitação e a prestar serviços para a prefeitura.
O Governador Vitório acharia que só um ‘otário’ abre o jogo assim e sai do governo com os mesmos bens com os quais entrou, conforme mostra a declaração de bens publicada no Diário Oficial do Município (23/12) de Serafim, um prefeito realmente singular, pois provou que é possível viver no chiqueiro sem se emporcalhar. Ensinou que se pode perder uma eleição com elegância, serenidade e sabedoria. Quem sabe, isso não estimula os jovens bem intencionados a entrarem na política?
Na sua ‘Fala aos moços’, Darcy Ribeiro diz: “Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isto não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas”. Suspeito que os eleitores de Serafim compartilham esse sentimento, sabendo que a luta continua. Ele, que agora conhece melhor a máquina, tem o dever de nos ajudar a defender essas conquistas da sociedade amazonense contra sua raiz histórica apodrecida.
P.S. 1 – A coluna criticou aqui a gestão Serafim, sobretudo na questão ambiental, onde faltou coragem para defender os fragmentos de floresta na cidade. Se ele fosse reeleito, as criticas continuariam, com gozação sobre a inauguração do cemitério no último dia do ano. Esperamos sua volta ao poder para cobrar dele umas boas chineladas na bunda do Marcelo, cuja eleição para deputado federal, na forma como foi feita, contribuiu para selar a derrota do pai na prefeitura.
P.S. 2 - Artigo similar – Os dois filhos de arigós - reconhecendo a contribuição de Arthur Neto e Felix Valois para a vida política do Amazonas foi publicado em 29/12/1992 (www.taquiprati.com.br).
José Ribamar Bessa Freire, até onde consta nos autos, um cidadão amazonense sem cargo na Prefeitura. Leia Mais…sexta-feira, 28 de novembro de 2008
São Paulo e Fluminense
A presidente das eleições de 2008, juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, cassou os registros de candidatura do prefeito eleito Amazonino Mendes (PTB) e do vice, o deputado federal Carlos Souza (PP). A juíza determinou ainda o impedimento da expedição dos diplomas de ambos pelos crimes de captação ilícita de votos por conta da distribuição de vales-combustível e da distribuição de material de propaganda eleitoral realizados, conforme investigações da Polícia Federal, no final da noite de 4 de outubro, véspera do 1º turno das eleições municipais.
Essa notícia tomou conta das manchetes dos jornais de Manaus e deu até no Jornal Nacional de hoje, 28. Segundo o noticiário, se a decisão da juíza for confirmada pelo Pleno do TRE, quem assumirá como prefeito será o segundo colocado, Serafim Corrêa. Final do ano com Papai Noel antecipado? Não. Sinceramente está mais para Primeiro de Abril fora de época.
Amazonino Mendes furou a lei e, portanto, deveria pagar pelos seus pecados. Acontece que em Manaus, diferente do ditado, lex non est dura, sed mollis. Para quem não fez latim, traduzo: a lei não é dura, mas flexível. Vejamos o caso do vereador eleito Henrique Oliveira, apresentador do programa “Fogo Cruzado”. A lei diz que servidor do TRE, caso de Henrique, não pode ter filiação partidária. Quem conduz o pleito não pode ter, literal e retoricamente, partido algum, muito menos concorrer a cargo eletivo. Para apelar para as metáforas futebolísticas de que tanto gosta o presidente, seria mais ou menos como se o juiz do jogo que pode decidir o Brasileirão, São Paulo e Fluminense, fosse sócio-fundador do tricolor paulista. Pode até torcer, mas não se pode declarar partidário. A regra é clara, diria o Arnaldo César Coelho. Pois é. Mas o pleno do TRE (o mesmo que vai julgar Amazonino), por 4 x 2 deu vitória a Henrique e derrota à lei. O juiz Elci Simões, justificando o voto, disse que essa lei é velha, herança da ditadura. Mas, data venia, pelo pouco que entendo de direito – e estou com minha opinião na companhia do procurador eleitoral André Lasmar –, se há lei, ela deve ser cumprida até ser revogada por norma posterior. Rábula abusado eu.
Pela manhã, ouvi na CBN o advogado do dono do posto de combustível envolvido na lambança fazer a defesa de Amazonino com mais veemência do que a de seu cliente. O argumento é um primor. Dizia o advogado que existe no direito o princípio da proporcionalidade. Mesmo que as 420 requisições aprendidas e que são provas nos autos do processo fossem multiplicadas por dez, isso seria muito pouco frente aos mais de 120 mil votos de diferença de Amazonino para Serafim. Deixa-se de discutir a qualidade da transgressão e se passa a focar a quantidade. É a versão jurídica do “estupra, mas não mata”. Foi só um escapadinha, um deslize, um fraquejo. Só a cabecinha, diriam os mais sexualmente metafóricos. Aparte: o risinho sem graça do Ronaldo Tiradentes ao perceber que mesmo remotamente Serafim poderia voltar a ser prefeito foi indisfarçável. Deu para ver no rádio. Juro.
Contra-argumentos já pululam na defesa de Amazonino. Nos blogs, vejo opiniões que vão do “deixem o Amazonino em paz!” – como se isso fosse uma questão de picuinha de vizinhos – até “a vontade do povo precisa ser respeitada” – como se isso justificasse passar por cima da lei. Linchamento é pura vontade do povo também. Que há margem de interpretação em qualquer lei, não há dúvida, pois é linguagem. É por aí que a decisão de engavetar mais essa deve vir. Sou cético. Para mim, Primeiro de Abril 1 x 0 Papai Noel. Ponho mais fé que meu Flu vai estragar a festa do São Paulo domingo. É fogo. Cruzado.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Começou antes de começar
Não há eleição que não coloque a educação no meio das promessas e mudanças. Todos reclamam da qualidade da educação, do baixo desempenho dos alunos nas avaliações, dos baixos salários dos professores. Por conta disso, em véspera de pleito, a educação nórdica é prometida: rever Plano de Cargos e Salários dos professores, implantar escolas de tempo integral, construir mais creches. Na eleição para prefeito, o então candidato Amazonino Mendes prometeu até colocar as crianças em escolas particulares para acabar com o intermediário, além de garantir dar o que já existe: merenda e fardamento de qualidade.
De onde vem o dinheiro para que seja feito o que se promete? Fundamentalmente de duas fontes: do repasse do FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - feito pelo Governo Federal e dos recursos próprios da Prefeitura. O repasse do FUNDEB é feito em função do número de alunos matriculados nos dois níveis que o Município atende, a Educação Infantil e Ensino Fundamental. Dos recursos próprios, a Constituição define para os Municípios a aplicação em educação de percentual mínimo de 25% da receita proveniente de impostos, facultando um percentual maior a ser definido na Lei Orgânica do Município. Em Manaus, a Lei Orgânica prevê em seu Art. 354 o investimento de 30%.
Como não há mágica na administração pública, mas lógica, conclui-se: para fazer mais é preciso aumentar os recursos ou redimensionar os existentes em função de outras prioridades. O problema é que querem diminuir. O prefeito Serafim Corrêa enviou à Câmara proposta de emenda à Lei Orgânica solicitando a redução dos 30% atuais para 25%, a pedido do prefeito eleito Amazonino Mendes. Uma vitória histórica, o percentual maior do que o previsto na Constituição ameaça ir para o saco, numa clara sinalização de que a educação não será a prioridade decantada nas promessas de campanha. Ou então o prefeito eleito é mágico: como reduzir em mais de R$ 100 milhões o que estava previsto para a educação no orçamento e fazer a miríade de coisas que prometeu?
Ainda por cima, temos que agüentar o vereador Fabrício Lima dizendo que “estão transformando a discussão em cavalo de batalha”. A educação, esquece-se o edil, é um dos cavalos de batalha da sociedade, sim. Tudo bem que Fabrício Lima precisa garantir um lugar ao sol, depois de ser limado da Câmara pelos eleitores, mas defender a redução de recursos da educação é demais. Não vale a puxada de saco. Pergunto: cadê o Sindicato dos Professores? Onde estão os estudantes que não pintam as caras? E o Ministério Público, tão atuante nos últimos quatro anos?
O prefeito Serafim Corrêa não está sendo cavalheiro com o prefeito eleito, como pode parecer. Está sendo permissivo, deixando Amazonino administrar a cidade desde já. Como prefeito de direito, Serafim deveria se negar a acatar esse pedido e deixar que o ônus político da decisão coubesse ao prefeito eleito no próximo orçamento. Porque lá na frente Amazonino, com sua fleuma peculiar, ainda vai dizer que quem reduziu o percentual foi Serafim.
A mim pouca surpresa causam iniciativas dessa linha. O novo aqui é que dessa vez o troço começou antes de começar.
domingo, 2 de novembro de 2008
Eu tenho tudo.
Aconteceu com uma professora que dava aula a seus alunos sobre as diferenças entre os ricos e os pobres.
Na aula, Julinha levanta o dedo e pede para falar, toda gabola:
"Professora, meu pai tem tudo: Televisão, telescópio, DVD..."
"Tudo bem, diz a professora, mas será que ele tem uma lancha?
Julinha reflete e diz: "É, não... Lancha ele não tem..."
A professora diz:"Estão vendo. É como eu disse: não podemos ter tudo na vida."
"Professora", disse Arturzinho, "O meu pai tem tudo: ele tem TV, telescópio, DVD, lancha..."
"Sim", responde a professora, "mas será que ele tem um avião particular?"
Depois de refletir, Arturzinho responde: "Não, professora. Avião ele não tem"...
"Está vendo que não se pode ter tudo na vida", disse a professora.
O Clemilson levanta o dedo e diz:
"Professora, mas o meu pai tem tudo. Tenho certeza".
"Como assim, Clemilsinho? Tudo mesmo?!"
"Tudo. Pelo menos domingo passado, quando minha irmã disse que tinha votado no Amazonino, ele disse: 'Era só isso que me faltava!'. Ele deve ter tudo, professora"...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cecília Meireles

"Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão..."
Artigo Censurado
Pela primeira vez meu artigo foi censurado no jornal. É a força do poder simbólico. Quem mandou eu falar do vice-prefeito eleito... Vai, então, para os leitores do blog:
PARÁFRASES
Amazonino Mendes é o prefeito eleito de Manaus. Ao repetir o óbvio, gostaria de acenar para as paráfrases contidas nessa frase. O que está sendo dito ao se dizer que Amazonino ganhou?
Está sendo dito, entre outras coisas, que Serafim Corrêa perdeu. Serafim sai fortalecido para o futuro, mas inequivocadamente derrotado no presente, repetindo a história da sua eleição. Naquele 2004, não foi Serafim que levou, mas Amazonino que foi derrotado para sua rejeição. Em 2007, Serafim perdeu pela incapacidade de transformar a boa política em resultado eleitoral. Ainda que o discurso político não lhe permita falar em derrota, o que é compreensível, o prefeito foi vencido pela comunicação pífia no início da administração e por algumas escolhas políticas equivocadas quando das divergências internas de seu grupo. Registre-se que Serafim fez uma administração admirável do ponto de vista republicano: concurso, transparência, moralidade, bom uso do nosso dinheiro. Acusaram-no de lentidão, mas quando a coisa é feita direita é lenta mesmo. Sei porque participei de sua administração e lembro o quanto sofremos pelos trâmites demorados da legislação. Por esse prisma, aliás, espero que a administração do novo prefeito não seja tão rápida se o preço for o arrepio da lei.
Mais paráfrase: Ari Moutinho vai para a Câmara dos Deputados no lugar de Carlos Souza. Até quando a legislação brasileira vai permitir esses esquemas de acomodação de políticos sem mandatos ou que ainda devem esclarecimentos à justiça? Até quando ficaremos tentados a fazer trocadilhos de imunidade com impunidade? Quem ganha com isso, não sei. Mas quem perde somos nós, população.
Outra paráfrase que se escuta na frase: Carlos Souza vai ser prefeito por dois anos. Não precisa ser futurólogo para saber como caminha o xadrez político. Minha discordância com o futuro prefeito Souza é de visão de mundo e de sociedade. Não consigo pensar em usar o mundo cão como paradigma de ações. Quem pensa assim não consegue agir para reduzi-lo, pois perde o próprio referencial. Ao contrário: quanto pior, melhor. A miséria fortalece quem dela se sustenta. Ainda me queima a retina a cena de Souza e Sabino de braços dados com o bandido Paulinho Perneta, parecendo uma quadrilha. De São João, claro. Alguém que quer substituir a polícia e a justiça não me agrada com uma caneta tão pesada quanto à de prefeito na mão.
Um dado positivo: a oposição tão forte que se fez ao prefeito por ousar fazer uma política de outro modelo acabou por gerar uma sociedade mais atenta. Vamos esperar do Ministério Público a mesma vigilância. Vamos cobrar da imprensa os mesmos olhos de lince. No mundo midizatizado, promessas se registram. Para se ter mil creches é preciso fazer uma a cada um dia e meio. Quero meus 20% de desconto no IPTU. Vou cobrar o fim imediato do turno intermediário nas escolas e juro que vou morrer de inveja: quando fui subscretário o máximo que consiguimos em três anos foi reduzi-lo em 30%.
Meu desejo sincero é o de que o prefeito eleito conduza nossa cidade da melhor forma possível para a população. Um paráfrase positiva final: a Democracia funciona, a rotatividade faz parte. Quem venceu que administre. Quem perdeu que fiscalize. É assim.
domingo, 26 de outubro de 2008
Luto Político

Pelo andar da carruagem das apurações, o prefeito Serafim não deve se reeleger. Como cidadão manauara, sinto muito e termino meu domingo em luto político. Quatro anos a minha cidade ficará nas mãos de um grupo pouco confiável. Minhas filhas moram aqui. Por isso, sinto mais ainda.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Comparação

Recebi isso por e-mail e achei genial.
Comparação.
Denúncias de Corrupção.
De dois candidatos a prefeito, você vai escolher um.
Um teve vários aliados envolvidos no escândalo das licitações no Amazonas, em 2004.
O outro...
Um é acusado de manter empresas, jornais, rádios e supermercados no nome de amigos "laranjas".
O outro...
Um foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva, no escândalo da compra de geradores da CEAM.
O outro...
Um virou manchete nacional pela Mansão do Tarumã, avaliada em R$ 5 milhões, e cujo valor declarou ser R$ 300 mil.
O outro...
Um foi acusado de pagar R$ 200 mil por cada voto pela reeleição de FHC, em 1997.
O outro...
Um é o Amazonino, o outro... é o outro.
Vote no outro. Vote na honestidade. Vote na honradez. Vote SERAFIM - 40.
Leia Mais…domingo, 12 de outubro de 2008
Serafim na UFAM
Quarta-feira, 15, o prefeito Serafim Corrêa estará na UFAM para uma conversa com a comunidade universitária. Sarafa é candidato a reeleição e, como tal, se dispôs ir ao encontro. Fui escolhido para ser o mediador da conversa. Na próxima quarta, 22, é a vez de Amazonino falar de suas propostas para a cidade. Amazonino ainda não confirmou, mas, pelo bem da democracia, espero que vá. Todo mundo convidado. Hall do ICHL, às 9:00h. Não é segredo para ninguém que meu candidato é Serafim, mas por ter sido escolhido como mediador, tentarei atuar como um magistrado. Igual ao governador Eduardo Braga no segundo turno...
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