Já que estou nas tirinhas, essa tem a ver com linguagem. Em Roma com os romanos...
domingo, 2 de novembro de 2008
Mais tirinhas...
Sintomas de fracassos: já vi esse filme...
Primeiro é a panela, depois a megalomania e os delírios. Vejo isso todo dia no trabalho...
Eu tenho tudo.
Aconteceu com uma professora que dava aula a seus alunos sobre as diferenças entre os ricos e os pobres.
Na aula, Julinha levanta o dedo e pede para falar, toda gabola:
"Professora, meu pai tem tudo: Televisão, telescópio, DVD..."
"Tudo bem, diz a professora, mas será que ele tem uma lancha?
Julinha reflete e diz: "É, não... Lancha ele não tem..."
A professora diz:"Estão vendo. É como eu disse: não podemos ter tudo na vida."
"Professora", disse Arturzinho, "O meu pai tem tudo: ele tem TV, telescópio, DVD, lancha..."
"Sim", responde a professora, "mas será que ele tem um avião particular?"
Depois de refletir, Arturzinho responde: "Não, professora. Avião ele não tem"...
"Está vendo que não se pode ter tudo na vida", disse a professora.
O Clemilson levanta o dedo e diz:
"Professora, mas o meu pai tem tudo. Tenho certeza".
"Como assim, Clemilsinho? Tudo mesmo?!"
"Tudo. Pelo menos domingo passado, quando minha irmã disse que tinha votado no Amazonino, ele disse: 'Era só isso que me faltava!'. Ele deve ter tudo, professora"...
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Contardo Calligaris
Contardo , hoje na Folha de São Paulo:
Dormindo com inimigos?
A paixão de Lindemberg era um argumento para que atiradores de elite apertassem o gatilho |
COMO MUITOS pelo Brasil afora, assisti ao extenuante drama de Eloá Pimentel, 15, seqüestrada durante cem horas e, no fim, morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, 22, em Santo André, São Paulo.
Como muitos, achei absurda a decisão das autoridades, durante as negociações, de mandar de volta para o cativeiro a amiga de Eloá, Nayara -que por sorte se salvou, embora baleada no rosto. E descobri, consternado, que o Grupo de Ações Táticas Especiais não dispõe de microcâmeras que funcionem nem de escadas que alcancem uma janela do segundo andar.
Fora isso, uma frase cativou minha atenção. No sábado passado, Ana Cristina Pimentel, a mãe de Eloá, declarou a Britto Jr. (TV Record) que "a polícia teve muito tempo para matar" Lindemberg e que os policiais deveriam ter atirado nele muito antes do desfecho.
Lembrei-me de que alguém da PM -talvez o próprio coronel Félix (não consegui reencontrar a reportagem)- afirmara que os atiradores de elite tiveram várias ocasiões para matar o seqüestrador, mas a ordem de atirar não foi dada por se tratar de um seqüestro motivado por razões, digamos assim, não torpes.
Nada de assalto, extorsão etc. Lindemberg e Eloá tinham sido namorados, e era na exaltação de uma paixão amorosa (por doentia que fosse) que Lindemberg estava cometendo aquela loucura e ameaçando acabar com Eloá e, depois disso, matar-se.
Aparentemente, a PM pensou que os sentimentos de Lindemberg tornassem menos provável que ele passasse das ameaças aos atos.
Curiosamente, eu pensava exatamente o contrário: a paixão de Lindemberg por Eloá me parecia aumentar as possibilidades de um desfecho fatal e constituir um argumento para que os atiradores de elite apertassem o gatilho. Por quê?
Não sei se existem estatísticas comparando o desenlace dos seqüestros perpetrados por razões torpes ao dos que são motivados pelos malogros do amor (separações não aceitas, ciúmes, despeito da rejeição e por aí vai).
Mas imagine, por um instante, que Lindemberg fosse um assaltante qualquer: por acaso, ele entrou no apartamento dos Pimentel para roubar e aí ficou, com duas reféns, encurralado pela polícia. Sem dúvida, ele ameaçaria matar as adolescentes para negociar uma chance de fuga. No entanto, quando os policiais arrombassem a porta, sua maior preocupação seria a de salvar a pele; ele poderia instintivamente reagir atirando nos invasores (e seria crivado de balas) ou abrigar-se atrás de uma das adolescentes, usando-a como escudo numa última tentativa de defesa. Mas por que mataria as reféns? Para ser morto a tiros na hora? Ou, se não fosse morto, para aumentar o número de anos que passaria na cadeia?
Claro, as ações de um criminoso acuado não são necessariamente racionais. No paroxismo dos breves segundos da invasão, um seqüestrador qualquer poderia atirar em suas reféns, por exemplo, para se vingar da "traição" dos negociadores que, certamente, prometeram-lhe salvação e liberdade. Mas é apenas uma possibilidade, enquanto Lindemberg, como ele havia dito explicitamente à mãe de Eloá, viera com o propósito de "fazer uma besteira": matar Eloá e matar-se (quem sabe, um jeito de ficar com sua amada para sempre). Para ele, a urgência, na hora da invasão, seria (e foi mesmo) a de levar a cabo sua tarefa. Faltou-lhe apenas a coragem (ou o tempo) de se dar um tiro.
Em suma, paradoxo: justamente porque o seqüestro não tinha razões "torpes", os atiradores da PM deveriam ter sido liberados para atirar.
A exposição midiática do caso fez que o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, fosse reconhecido pela polícia de Alagoas como um foragido, suspeito de vários crimes, entre os quais o de ter matado a ex-mulher, em 1992. Por intermédio de seu advogado, Santos declarou: "Jamais cometeria um crime bárbaro contra uma mulher que tanto amei". Faz sentido, não? E a PM paulistana pensou parecido: Lindemberg não mataria Eloá, que ele tanto amava.
A verdadeira paixão amorosa não é exatamente um "bom sentimento". O apaixonado acredita no objeto de amor (que, de fato, ele inventa) assim como, nos transtornos mais graves, um indivíduo acredita em suas alucinações. Com uma diferença: contrariamente ao alucinado, o apaixonado não consegue renunciar a uma visão que é para ele, às vezes, a prova única e indiscutível de que ele não está só no mundo e de que a vida e a morte fazem sentido. Leia Mais…
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cecília Meireles

"Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão..."
Viciado em Orkut
Uma piadinha para levantar o astral...
O menino era viciado em orkut. Cansada daquilo, um dia sua mãe o levou para o culto na igreja no domingo.
Chegando lá o pastor pergunta a ele:
- Rapaz, você aceita Jesus?
O menino responde rápido:
-Só se ele me mandar um scrap!
Artigo Censurado
Pela primeira vez meu artigo foi censurado no jornal. É a força do poder simbólico. Quem mandou eu falar do vice-prefeito eleito... Vai, então, para os leitores do blog:
PARÁFRASES
Amazonino Mendes é o prefeito eleito de Manaus. Ao repetir o óbvio, gostaria de acenar para as paráfrases contidas nessa frase. O que está sendo dito ao se dizer que Amazonino ganhou?
Está sendo dito, entre outras coisas, que Serafim Corrêa perdeu. Serafim sai fortalecido para o futuro, mas inequivocadamente derrotado no presente, repetindo a história da sua eleição. Naquele 2004, não foi Serafim que levou, mas Amazonino que foi derrotado para sua rejeição. Em 2007, Serafim perdeu pela incapacidade de transformar a boa política em resultado eleitoral. Ainda que o discurso político não lhe permita falar em derrota, o que é compreensível, o prefeito foi vencido pela comunicação pífia no início da administração e por algumas escolhas políticas equivocadas quando das divergências internas de seu grupo. Registre-se que Serafim fez uma administração admirável do ponto de vista republicano: concurso, transparência, moralidade, bom uso do nosso dinheiro. Acusaram-no de lentidão, mas quando a coisa é feita direita é lenta mesmo. Sei porque participei de sua administração e lembro o quanto sofremos pelos trâmites demorados da legislação. Por esse prisma, aliás, espero que a administração do novo prefeito não seja tão rápida se o preço for o arrepio da lei.
Mais paráfrase: Ari Moutinho vai para a Câmara dos Deputados no lugar de Carlos Souza. Até quando a legislação brasileira vai permitir esses esquemas de acomodação de políticos sem mandatos ou que ainda devem esclarecimentos à justiça? Até quando ficaremos tentados a fazer trocadilhos de imunidade com impunidade? Quem ganha com isso, não sei. Mas quem perde somos nós, população.
Outra paráfrase que se escuta na frase: Carlos Souza vai ser prefeito por dois anos. Não precisa ser futurólogo para saber como caminha o xadrez político. Minha discordância com o futuro prefeito Souza é de visão de mundo e de sociedade. Não consigo pensar em usar o mundo cão como paradigma de ações. Quem pensa assim não consegue agir para reduzi-lo, pois perde o próprio referencial. Ao contrário: quanto pior, melhor. A miséria fortalece quem dela se sustenta. Ainda me queima a retina a cena de Souza e Sabino de braços dados com o bandido Paulinho Perneta, parecendo uma quadrilha. De São João, claro. Alguém que quer substituir a polícia e a justiça não me agrada com uma caneta tão pesada quanto à de prefeito na mão.
Um dado positivo: a oposição tão forte que se fez ao prefeito por ousar fazer uma política de outro modelo acabou por gerar uma sociedade mais atenta. Vamos esperar do Ministério Público a mesma vigilância. Vamos cobrar da imprensa os mesmos olhos de lince. No mundo midizatizado, promessas se registram. Para se ter mil creches é preciso fazer uma a cada um dia e meio. Quero meus 20% de desconto no IPTU. Vou cobrar o fim imediato do turno intermediário nas escolas e juro que vou morrer de inveja: quando fui subscretário o máximo que consiguimos em três anos foi reduzi-lo em 30%.
Meu desejo sincero é o de que o prefeito eleito conduza nossa cidade da melhor forma possível para a população. Um paráfrase positiva final: a Democracia funciona, a rotatividade faz parte. Quem venceu que administre. Quem perdeu que fiscalize. É assim.
domingo, 26 de outubro de 2008
Luto Político

Pelo andar da carruagem das apurações, o prefeito Serafim não deve se reeleger. Como cidadão manauara, sinto muito e termino meu domingo em luto político. Quatro anos a minha cidade ficará nas mãos de um grupo pouco confiável. Minhas filhas moram aqui. Por isso, sinto mais ainda.
sábado, 25 de outubro de 2008
Metáforas: vasos
Vaso Chinês
Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara, que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado, e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada até a casa, enquanto o rachado chegava meio vazio. Por longo tempo a coisa foi em frente assim, com a senhora que chegava em casa com somente um vaso e meio de água. Naturalmente, o vaso perfeito estava muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer. Depois de dois anos, refletindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho:
- Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até sua casa...
A velhinha sorriu:
- Você reparou que lindas flores foram semeadas do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito, portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas.
Por dois anos, recolho belíssimas flores para enfeitar a mesa deste lar. Se tu não fosses como és, eu não teria essas maravilhas enfeitando a minha casa. Cada um de nós tem o próprio limite. Mas o limite de cada um é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é. E descobrir o que tem de bom nele.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Contardo Calligaris
Sou fã de carteirinha de Calligaris, que escreve às quintas na Folha de São Paulo. Reproduzo seu texto dessa semana:
A SEXUALIDADE DE QUEM GOVERNA
As fantasias que sustentam o desejo nos definem mais do que o gênero do parceiro |
SERÁ QUE que a vida sexual de quem se candidata a governar é relevante para os eleitores? Há duas "escolas" de pensamento: a francesa e a dos EUA.
Para os franceses, em princípio, a vida amorosa e sexual dos governantes não tem relação com as qualidades morais que importam na vida pública. Portanto, é raro que, no debate político, apareçam "detalhes" privados (amantes, filhos fora do casamento etc.).
Nos EUA, ao contrário, a intimidade de governantes e candidatos é vasculhada. Talvez os norte-americanos sejam simplesmente mais moralistas do que os franceses. Ou talvez eles acreditem que uma vida privada libertina (ou não conforme a regra) prometa uma condução desregrada da coisa pública. Algo assim: quem não resiste à paixão (nem para compor o cartão-postal da campanha) colocará sua "tara" acima de seu dever.
É um enigma: os norte-americanos prezam a liberdade de cada um viver como ele bem entende, mas pedem que quem governa seja um exemplo de conformismo. E, em regra, o conformismo de quem governa (sobretudo se for só aparente) transforma-se em exigência de conformidade para todos.
O Brasil é outro enigma: a relevância política da vida amorosa e sexual dos governantes parece mínima, como se o público e o privado fossem domínios claramente distintos. Por outro lado, a esfera pública é brutalmente parasitada pelos interesses privados (corrupção, clientelismo).
Seja como for, nessa história, o que mais me impressiona é a ingenuidade com a qual é composto o "perfil" sexual e amoroso de candidatos e governantes. Nas campanhas eleitorais dos EUA, por exemplo, os candidatos levam consigo mulher e filhos; supõe-se que essa exibição valha como um atestado de "normalidade", enquanto, no máximo, ela indica qual é orientação sexual do candidato (e olhe lá) e qual sua aptidão para multiplicar-se.
Ora, se nossa vida sexual e amorosa diz algo sobre quem somos, não é graças à nossa orientação ou à nossa capacidade de procriar. Do lado amoroso, seria mais significativo considerar qual é o respeito pela singularidade do parceiro, qual a virulência da idealização ou do ciúme, qual a parte de narcisismo etc. Do lado sexual, muito mais que o gênero do parceiro escolhido (ou exibido), o que define um indivíduo são as fantasias (implícitas ou explícitas, realizadas ou não) que sustentam seu desejo.
Ou seja, se quisesse conhecer a vida sexual e amorosa de um candidato, precisaria saber não tanto quem ele ama, mas qual é seu jeito de amar, e não tanto com quem, mas COMO ele "transa" - ou seja, o que o excita, quais pensamentos, quais situações, quais palavras. Também me perguntaria se o candidato tem mesmo uma vida sexual (com que freqüência e intensidade) e se ele aceita sua própria sexualidade ou a vive com nojo ou asco.
Tudo isso, caso eu quisesse saber um mínimo sobre a vida amorosa e sexual de um candidato. Mas será que isso me seria útil na hora de votar? E de que forma?
Michel Foucault talvez seja o pensador que melhor desmascarou e contestou os mecanismos do poder moderno (isso, apesar de sua histórica burrada ao avaliar positivamente o regime dos aiatolás no Irã). Como ele mesmo revelava, sua sexualidade se alimentava em fantasias e práticas sadomasoquistas. Pergunta: sua perspicácia e seu engajamento libertários se deram apesar de suas fantasias sexuais ou por causa delas? Não sei.
A pergunta não é urgente: infelizmente, no estado atual de nossa sociedade, é improvável que candidatos e candidatas a cargos de governo falem publicamente do que importa em sua vida sexual e amorosa.
Fico apenas com esta idéia: em geral, um governante que aceita e vive suas próprias fantasias é, para mim, preferível a outro que as reprime, pois a falta de indulgência consigo mesmo promete rigidez hipócrita para com os outros. Também, o exercício da sexualidade introduz em todas as fantasias uma descontinuidade: a "brincadeira" termina quando acaba a relação sexual. Voltando ao exemplo de Foucault, quem goza sexualmente com os apetrechos do sadomasoquismo dificilmente consegue não achar risível a face sisuda do poder.
Mais um ponto: salvo ilegalidade, em matéria de sexo, minha regra geral é que só o interessado tem o direito de falar. A voz de um terceiro sempre ressoa como uma denúncia que faz apelo ao preconceito -ou seja, certamente não ao que tem de melhor em nós. Leia Mais…
O Correto e o Justo
Dois juízes encontram-se no estacionamento de um motel e reparam que cada um estava com a mulher do outro. Após alguns instantes de 'saia justa', em tom solene e respeitoso, um diz ao outro:
- Nobre colega, creio eu que o CORRETO seria que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher volte com Vossa Excelência no seu.
Ao que o outro respondeu:
- Concordo plenamente, nobre colega, que isso seria o CORRETO. No entanto, não seria JUSTO, levando-se em consideração que vocês estão saindo e nós estamos entrando.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Comparação

Recebi isso por e-mail e achei genial.
Comparação.
Denúncias de Corrupção.
De dois candidatos a prefeito, você vai escolher um.
Um teve vários aliados envolvidos no escândalo das licitações no Amazonas, em 2004.
O outro...
Um é acusado de manter empresas, jornais, rádios e supermercados no nome de amigos "laranjas".
O outro...
Um foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva, no escândalo da compra de geradores da CEAM.
O outro...
Um virou manchete nacional pela Mansão do Tarumã, avaliada em R$ 5 milhões, e cujo valor declarou ser R$ 300 mil.
O outro...
Um foi acusado de pagar R$ 200 mil por cada voto pela reeleição de FHC, em 1997.
O outro...
Um é o Amazonino, o outro... é o outro.
Vote no outro. Vote na honestidade. Vote na honradez. Vote SERAFIM - 40.
Leia Mais…Mais Quintana...
EU ESCREVI UM POEMA TRISTE
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mario Quintana - A Cor do Invisível
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Fugacidade
Para os que procrastinam as belezas da vida, uma dose de Mário Quintana.
"O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."
Mário Quintana
Leia Mais…
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Aniversário do meu pai
Hoje é aniversário do meu pai. Posto um texto que escrevi pra ele, no dia dos pais. Te amo, meu querido, meu velho, meu amigo.
PAI
Que me desculpem os outros filhos, mas o meu pai é o melhor pai do mundo. Podem discordar, mas continuarei achando. É porque vocês não são filhos do meu pai. Se fossem saberiam do que falo.
Meu pai tem um coração maior do que amor pelo seu Botafogo. Jamais conhecerei alguém tão bondoso. Seu corpo é feito de coronárias: um grande coração no qual circula bondade.
Do seu jeito pouco falante para essas coisas, meu pai sempre desejou, como na música, ver seus filhos pisando firme, sorrindo alto, cantando livres. Nós, cada um a seu modo, pisamos firme porque tivemos sua mão a nos segurar em vários momentos em que mais precisávamos. E não a tivemos na hora em que, paciente e sabiamente, ele e a mãe saiam de cena para que pudéssemos crescer. Sorrimos todos, paizinho, bem alto. Somos uma família feliz. Cantamos livres, cada um no seu tom, as músicas de respeito ao próximo, de sacação do mundo.
Pai, obrigado por mostrar que filho é filho. E o que importa é a felicidade dele. Essa lição eu vou levar para a vida da Ana Clara e da Marina. Não esqueço, paizinho, de quando tu me esperavas no carro, enquanto eu estudava, para que eu não voltasse de ônibus tarde. Quanto amor e dedicação. Que pai invejável! Que pai lindo!
Agradeço a meu pai pela torcida nas grandes e pequenas coisas. Nos campeonatos de futebol, lá estava seu Jefferson atrás do gol com a camisa do time. Nas gincanas, seu Jefferson corria atrás de ouriço de castanha, objeto da prova, como se fosse sua vida. E era. Eram seus filhos que estavam ali. Nos jogos de futebol de mesa, seus gritos de gol ao ver a bola bater na rede dos adversários rasgavam a sala. Torcia para fazer gol só para ver meu pai vibrar. Era melhor que próprio gol. Nas vitórias, seu punho cerrado no ar, como a dizer “eu sabia! Esse é o meu filho!”. Guardo com carinho seus olhos gordos de alegria quando falei ter sido aprovado no doutorado na Unicamp. O orgulho de missão cumprida, a despeito das dificuldades dessa vida que tanto o maltratou. Mas as dificuldades foram, sabiamente, transformadas em lições de vida e não em amargura.
Fico fascinado com sua capacidade de saber o nome de todas as repórteres bonitas da tv. Fico encantado com suas soluções para situações nas quais todos jogariam a toalha facilmente. Fico deslumbrado com seu pensamento rápido, que em dobradinha com seu senso de humor, fazem a vida mais feliz.
Aprendi o amor recebido do meu pai para dar a duas coisinhas que dependem de mim, frágeis, inseguras, começando a vida. Que minhas filhas tenham o privilégio de brincar de carneirinho-carneirinho contigo. Se eu conseguir ser dez por cento seu Jefferson nesse papel de pai, minhas meninas vão viver no mundo pisando firme, cantando alto e sorrindo livre. Fica aqui por muito tempo, meu pai, meu querido, meu velho, meu amigo. Ainda há muito mais a aprender contigo.
Eu te amo, pai. E vou te dizer todos os dias até quando Deus disser que está na hora do nosso vôo solo. Aí eu e minhas filhas, olhando para a estrela mais brilhante do céu, diremos, dedinhos apontados para cima, “eu te amo, pai”, “nos te amamos, vovô”. E nos encontraremos em sonhos. Do filho que os outros filhos dizem, ingrata e injustamente, ser o preferido. Dinho.
domingo, 19 de outubro de 2008
Soneto da Ana Clara
Este é o da Clara.
ANA CLARA
Minha alegria, és o meu futuro
Tu que habitas da tua mãe o ventre
Com tua imagem toda dor eu curo
Felicidade chega e eu digo: entre!
Por ti transponho o mais alto muro
Por ti repouso meu coração dentre
As agonias, tua presença centre
Tua clara luz sobre meu mundo escuro
O teu relevo alto me anuncia
Um som que em breve a boca balbucia
Em incompreensíveis sílabas de amor
E me amorteces toda e qualquer dor
Pois tua vinda, filha, prenuncia
O meu jardim em minha primeira flor
Soneto da Marina
Gosto muito de escrever sonetos. Este eu fiz para a Marina, minha caçula.
SONETO PARA A SEGUNDA FILHA
Soneto para a segunda filha (01.12.2006)
Tu, que chegas sem nenhum alarde
Vens de repente numa alquimia
No meio do dia, era ainda à tarde,
A tua irmã ainda nem dormia
Tu, que te apresentas para ser amada
Por conta própria cruzaste muralhas
Chegou bem de mansinho e bem calada
E no ventre da tua mãe te agasalhas
Tu, pequena coisa ousada e destemida
Veio rasgando espaço atrás de vida
Sabes que tu terás senão amor
E trazes na tua vinda aguerrida
Escrito nas pétalas da margarida
“Do teu jardim, pai, sou a segunda flor”
Eu no tempo
Olha quão interessante eu teria sido em diversas épocas. O site que fez o túnel do tempo é o http://www.yearbookyourself.com.
