quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A polêmica dos bebês anencéfalos

Este texto é muito significativo para se pensar sobre o direito da mãe em interromper a gravidez de um bebê diagnosticado com anencefalia. O pau está comendo. A Igreja Católica diz que é aborto. O Ministro do Supremo e relator da matéria, Marco Aurélio Melo, diz que a constituição deve proteger o cidadão brasileiro. A mãe é cidadã brasileira e o feto não. Portanto, ela teria o direito à interrupção sem que fosse crime. E aquela que quiser levar a gravidez até o fim, mesmo sabendo que o bebê vai morrer ao nascer, também pode. A questão é delicada e merece reflexões.

Cacilda foi protegida, Severina torturada
Eliane Brum, repórter especial de ÉPOCA, é co-diretora do documentário Uma História Severina, vencedor de mais de 20 prêmios nacionais e internacionais


Severina suportou mais de 30 horas de dores de parto consciente de que, ao final, teria não um berço, mas um caixão

Cacilda e Severina são mais semelhantes que diferentes. Ambas são brasileiras pobres, agricultoras, católicas. Cacilda, do interior de São Paulo; Severina, dos arredores do Recife. Ambas desejavam um filho. Ao engravidarem, comemoraram. Na ultra-sonografia, descobriram que seu bebê tinha uma malformação que o levaria à morte. Sofreram muito. Cacilda decidiu prosseguir com a gestação. Para Severina, tornou-se insuportável continuar gerando um feto que não viveria. É aqui que seus caminhos se separam. Não porque suas escolhas são diferentes. Mas porque o Estado protege Cacilda. E tortura Severina.

Entendo que determinar se a filha de Cacilda Galante Ferreira era ou não anencéfala faz diferença tanto para quem defende a interrupção da gestação nesses casos como para quem é contra. A questão permeou os dois dias do debate travado em audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal. Mas acho cruel que seja preciso discutir publicamente a grave anomalia da filha de Cacilda. As questões de Cacilda só deveriam interessar a ela. É porque Cacilda merece todo o nosso respeito que é triste assistir a seus sentimentos virarem peça de campanha religiosa. Sua relação com a filha, a decisão de levar a gestação até o fim, assim como o sentido que deu a esse um ano e oito meses de maternidade, pertencem apenas a ela. São íntimas, privadas, correspondem ao seu livre-arbítrio, à sua dignidade.

Não importa discutir as questões de Cacilda por uma razão objetiva: Cacilda não é objeto da ação que reinvidica o direito de interromper a gestação anencefálica. E não apenas porque sua filha, segundo afirmaram especialistas eminentes na audiência pública, não seja um caso de anencefalia. Mas porque, quando Cacilda acreditava que sua filha era anencéfala, sua decisão de levar a gestação até o fim foi respeitada. As questões de Cacilda só interessam a Cacilda porque ela sempre esteve amparada pela lei. Se a ação for aprovada pelo Supremo, mulheres como Cacilda continuarão protegidas pelo Estado.

O que importa, sim, é discutir as questões de Severina. A agricultora pernambucana Severina Maria Leôncio Ferreira não está protegida pela lei. Ao descobrir que carregava no ventre um feto condenado à morte e decidir que não levaria aquela gestação até o fim, Severina não encontrou amparo no Estado. Por não ter encontrado proteção, Severina foi torturada. Seu sofrimento fere o princípio constitucional da dignidade humana.

Seria ótimo que, assim como as de Cacilda, as questões de Severina só importassem a ela. É justamente esse direito – o de cada mulher decidir se faz sentido ou não prosseguir com a gestação, dentro do seu útero, de um feto com malformação letal em 100% dos casos – que o Supremo vai julgar. O que os 11 ministros vão dizer é se Severina merece o mesmo respeito que Cacilda.

Testemunhei a dor de Severina. Seu calvário foi contado no documentário Uma História Severina, co-dirigido por mim e produzido pela Imagens Livres, do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis). Em 20 de outubro de 2004, quando a liminar que permitia a interrupção da gestação de anencéfalos foi derrubada por 7 votos a 4, um dos ministros do Supremo disse: “Mas onde estão essas mulheres? Nós nem sabemos se elas existem”.

O documentário surgiu da indignação diante desse comentário que desconhecia não só a dor, mas a existência das mulheres severinas. Meu objetivo, ao tirar férias de ÉPOCA para realizá-lo, era mostrar não só que elas existiam, mas que as decisões da Justiça afetavam profundamente seus destinos. Eu queria contar o longo dia seguinte a que os ministros do Supremo não assistiriam.

Severina estava internada num hospital do Recife no momento em que, a mais de 2.000 quilômetros dali, em Brasília, os ministros derrubaram a liminar que permitia a interrupção da gravidez anencefálica. Ela dormiu, em 20 de outubro de 2004, preparada para interromper a gestação no dia seguinte. Quando amanheceu, foi colocada para fora com sua dor e sua barriga de quatro meses. Naquele exato instante, Severina foi desamparada pela Justiça.

Para ela e para seu marido, Rosivaldo, levar a gravidez até o fim era impossível. Eles não suportavam a idéia de que o feto dentro do ventre de Severina não viveria. Era tanto o seu sofrimento, que enfrentaram algo enorme para eles: o Judiciário. Pobres, analfabetos, iniciaram uma peregrinação judicial que só acabaria três meses depois. Foram empurrados de um canto a outro. Compraram uma pasta para guardar a papelada, mas não a decifravam. A tortura jurídica foi só a primeira violência.

Severina sabia explicar em detalhes a imagem da ultra-sonografia que revelou a anencefalia de seu bebê. Mas, no seu íntimo, mil dramas se passavam. Ela não conseguia imaginar como era a cabeça daquele filho. Nos três meses em que sua gravidez se prolongou, enquanto esperava uma decisão do juiz, Severina viveu vários dilemas. A cada enjôo ou sensação diferente, tinha esperança de que fosse o cérebro da criança se constituindo dentro dela. Depois, concluía: “Mas o médico disse que isso não acontece, né?”. Quando, um dia, botou para fora um vômito escuro, achou que era sangue. “Será que machuquei a cabeça do meu bebê?” Para ela, aquela falta na cabeça do seu filho só podia ser uma ferida. Aberta.

Quando, finalmente, Severina conseguiu licença para interromper a gestação, carregou sua barriga de sete meses pelas lojas do centro do Recife. Severina buscava uma roupinha com touca para cobrir a anomalia na cabeça do bebê. Ela não queria que ele fosse vítima da curiosidade pública no caixão. Mas Severina não encontrava. Era quente demais no verão pernambucano para que as lojas exibissem gorros. Severina precisava, então, explicar à balconista o porquê de um pedido tão exótico. E, assim, não bastasse ter de comprar uma roupa para o enterro do filho que ainda carregava no ventre, Severina ficava, a cada loja, mais e mais aflita. Sem touca, ela não poderia proteger seu filho dos olhos do mundo.

A próxima estação do seu calvário foi a rede pública de saúde. Severina foi empurrada de um hospital a outro, com a autorização judicial na mão. “Não há vagas”, “meus colegas são contra o aborto”, “tenha paciência”. Com o aparelho na barriga de Severina, um dos médicos disse, a voz se impondo ao som do coração do feto batendo: “Olha como o coração destes fetos bate. Eles têm coração, o que não têm é cérebro”.

Tudo isso ela viveu. Quando conseguiu ser internada, exausta, o pior estava só começando. Como a Justiça tardou em decidir, aos sete meses de gestação Severina teve de enfrentar um parto induzido. Suportou mais de 30 horas de trabalho de parto. Estendia sobre a cama a roupinha do funeral do bebê, comprada por mim num shopping depois da sua internação. Colocava um sapatinho branco do lado do outro, os acariciava e chorava em silêncio.

Quando as dores pioraram, ela não conseguia mais ficar parada. Andava e contorcia-se no corredor da maternidade. Por ela, passavam mães orgulhosas com seus recém-nascidos no colo. Severina olhava para aquelas cenas com um desespero tão pungente que era difícil suportar seu olhar. Para seu filho, haveria não um berço, mas um caixão.

Então Severina arrastava-se para o quarto em busca do álbum de fotografias de seu único filho, Valmir, de 4 anos. Primeiro abraçava o pequeno álbum. Depois acariciava cada foto demoradamente, cada uma delas uma prova de que ela podia gerar um filho vivo.

Até o momento da internação, ela repetia: “Eu não quero ver”. Severina temia ver a cabeça do filho. Quando as dores foram apertando, porém, a cabeça do filho tornou-se um tormento. “Como será a cabecinha do meu filho? Eu só penso nisso.” À noite, sonhou que o marido, Rosivaldo, aparecia no hospital com a cabeça raspada. Ela dizia: “Você está muito feio, vá embora do hospital”.

Agora Severina precisava ver. Tinha de ter certeza. Precisava ver o que não existia, porque naquele momento era o que não existia, a ausência, a falta do cérebro, que dava sentido à dor que a arrebentava. Seu filho não tinha cérebro, seu filho não poderia viver. Isso ela podia entender. Severina pariu. E quando, primeiro a enfermeira, depois a psicóloga, em seguida a sogra, perguntaram a ela se queria ver “todo” o filho, ela disse: “Sim”.

Severina viu o filho. E chorou muito por ele. E ali, deitada na mesa de parto, pegou meu celular emprestado para ligar para Rosivaldo. “Nosso filho está morto.” E pediu por Valmir, o filho vivo. Era 12 de janeiro de 2005. O bebê de Severina e Rosivaldo não tem certidão de nascimento, só de óbito.

Essa foi a tortura severina. A pergunta que se impõe agora ao Supremo é se mulheres como Severina continuarão condenadas a esse horror. Ou, como Cacilda, terão o direito de escolher como lidar com a dor de ter um feto condenado à morte dentro do seu útero.

Quando o documentário ficou pronto, Severina e Rosivaldo foram os primeiros a vê-lo. Não quiseram mudar nada. Rosivaldo pediu apenas para acrescentar a frase que encerra o filme: “Eu acho que, quando a pessoa é humana e vê uma fita dessa, pode ser juiz, pode ser o que for, tem de sentir alguma coisa”.

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Gasolina R$ 2,68

Engraçado. Hoje os postos de Manaus amanheceram virtualmente todos com a gasolina a R$ 2,68 o litro. O presidente do Sindicato dos postos disse que os preços em Manaus, como em todo Brasil, são regulados pelas leis de mercado, da livre concorrência. Que coincidência todos com o mesmo preço... Apa!

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Vivo ZAP 3G II, a missão

Voltei a falar com a VIVO para ver se coloco meu recém-adquirido VIVO ZAP 3G para funcionar. Disseram que minha área não estava funcionando ontem. Hoje está. Depois de falar com o Aguinaldo, a Letícia e a Suzy, no suporte, fui informado que eles não tem a menor idéia da razão do meu modem não conectar. Deram-me cinco dias para resolver isso. Cinco mais dois são sete. De um mês, uma semana sem conexão de um serviço que acabei de contratar. Se amanhã não resolver, vou lá, devolvo tudo e peço o cancelamento. Sou bonzinho, mas já estou começando a me irritar.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amazonês na Rádio Amazonas FM

Agende aí: estarei na Rádio Amazonas FM (101,5), sábado, às 17:30h, no programa da Vivi Cariolano, falando sobre o Amazonês. Juro que o livro sai ano que vem. Assim prometeu meu editor, Tenório Telles. Quem quiser acesso à versão on-line, clique aqui. É isso, parente.

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Vivo ZAP 3G

Hoje, depois de quase duas horas na loja, comprei um modem da VIVO para internet móvel, o tal de ZAP 3G. Vou viajar e não gosto de ficar sem internet. Na espera, só para registrar, um cara queria bater na atendente, um outro que não tinha comprovante de residência alegou que ele é inútil e não comprova nada. Dizia ele que se no mesmo dia em que ele apresentar um comprovante a mulher botá-lo pra fora de casa, morreu o comprovante. Ah, as atendentes conversavam muito umas com as outras. Tive de exercitar minha paciência. Fui testar quando cheguei em casa e nada de conexão. Liguei no suporte e disseram que a área do Aleixo, onde moro, estava com problema de conexão. Amanhã vai estar funcionando. Mal começo. Amanhã eu digo se rolou.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Quintana de madrugada

A arte de ser bom

Sê bom. Mas ao coração
Prudência e cautela ajunta,
Quem todo de mel se unta,
Os ursos o lamberão..

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Frase do dia

"Bicho acostumado na toca encega com estrela".
Manoel de Barros

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Disque 1 para ter raiva

O tão anunciado fim do martírio com os call centers chegou - ao menos oficialmente- hoje, quando passaram a valer as novas regras do Decreto Presidencial 6.523. Ele inclui na regra os setores de telecomunicações, sistema financeiro, aviação, água, energia elétrica, transporte terrestre e planos de saúde. O consumidor que ligar para um SAC (serviço de atendimento ao consumidor) dessas empresas já pode exigir o direito de falar com um atendente em até 60 segundos, além de ter a opção de cancelamento do serviço no menu inicial.

As principais mudanças: a primeira gravação deve conter opções para atender, reclamar e cancelar. A ligação para o setor que resolva o problema deve ser transferida em no máximo um minuto. Em casos de reclamação e cancelamento do serviço, não será admitida a transferência da ligação. Todos os canais de atendimento devem estar aptos a cancelar o serviço, o que deve ser feito imediatamente após a solicitação do cliente, mesmo se o cliente tiver dívidas. A empresa não poderá pedir que o consumidor repita a sua demanda. Anúncios nos momentos de espera estão proibidos. O consumidor pode solicitar acesso ao conteúdo da gravação e ao histórico de atendimento. O SAC deve estar disponível por 24 horas por dia e sete dias por semana.

Quem já passou pela via crucis de esperar para fazer algo via telefone nutre certa esperança de que a coisa mude, ainda que eu ache que essa seja mais uma lei daquelas que não pega no Patropi. Porque por aqui leis pegam, não pegam ou são descumpridas por serem heranças de outras épocas, como no caso da absolvição do vereador Henrique Oliveira.

Por várias vezes já testei minha paciência com serviços de atendimento. O campeão da raiva foi o Shoptime. Comprei um Grill George Foreman e fui nocauteado com a cobrança sem entrega do produto. Lá pela milésima vez que havia ligado alguém disse que o problema era de desembaraço na Secretaria da Fazenda e que eu é que teria de ir lá resolver. Aí louvem-se os bons atendimentos também. Não conseguindo cancelar a compra no Shoptime, cancelei o pagamento no cartão de crédito, reavendo as parcelas pagas. Ponto para o American Express.

A automatização deve vir se vem para facilitar e não para complicar. Se eu quiser qualquer informação sobre o pagamento do meu carro, o atendimento eletrônico da Renault é show. Mas quando tenho que falar com atendentes, dá vontade de pegar o carro e sair voando. Eles me ligaram, por exemplo, questionando porque paguei minha parcela no dia 21 se ela vencia dia 20. Depois que expliquei que aqui em Manaus dia 20 era feriado da Consciência Negra, recebi a informação de que deveria retornar a ligação dia 15 para saber se a multa terá sido cancelada ou não. Pago em dia e eu que tenho que ir atrás. Legal. Fora os call centers que são pagos.

A lei dos call centers bem que podia ter uma equivalência no atendimento presencial. Que tal uma lei que obrigue o atendente a dar bom-dia e olhar nos seus olhos enquanto fala? Uma lei que proíba a gente de entrar em contato com a montadora do veículo para solucionar um problema que a própria concessionária deveria resolver? Na lei nova, o consumidor tem de gravar tudo para reclamar. Liguei para a ouvidoria do Planalto para reclamar e ouvi por 25 minutos o Hino Nacional Brasileiro. Mas sou brasileiro. Não desisto nunca.

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domingo, 30 de novembro de 2008

Amor Desfeito é Amor Refeito

Escrevi este texto em 2005 para a minha irmã Luciana, que sofria horrores com o fim de um namoro. Ele andou circulando pela net e, para minha surpresa, vi que serviu de remédio para um monte de gente na fossa. Isso me deixa feliz: saber que o que eu escrevo faz algum tipo de diferença. Então, da série Um texto antigo para recordar, lá vai de novo.

AMOR DESFEITO É AMOR REFEITO

Para a Lu, com amor.

"Meu coração tropical está coberto de neve,
mas ferve em seu cofre gelado".
Corsário, de João Bosco

o há palavra no mundo que expresse a dor de um amor desfeito. Só aqueles que já vivenciaram – ou mortificaram – um momento de ruptura sabem o tamanho da dor vazia e surda que rasga a alma e paralisa a vida. A gente chora, olha o teto, anda em círculos, tem vontade de ligar e implorar, dirige a esmo pela cidade sombria pensando em bater nos postes que se oferecem, não tem vontade de comer, de viver. O corpo se entrega de cara, jogando covardemente a toalha e deixando toda a responsabilidade de lidar com o monstro para a mente que, funcionando a todo vapor, mas sem rumo, beira o colapso.

O chão cai. Um buraco negro sem fim e fedorento engole a gente. A dor anímica é lancinante. E a gente chora. No travesseiro, nos colos solidários, no chão, no banho. Todos os gnomos das glândulas lacrimejantes são convocados para o trabalho. Produção total. Parece que não tem fim.

Chegam as pessoas amigas, famílias, parentes, gente de bom coração. Milhares de palavras sinceras, cafunés, ombros. Uns querem nos levar de volta à vida na marra, forçam saídas, cinemas, shows, bares. Outros querem logo nos casar porque acham que fantasma de amor só se exorciza com um amor real, novo, daqueles de dar friozinho na barriga. Fazem conchavos, convidam possíveis pares perfeitos para encontros arranjados. Mas um amor foi desfeito. Ninguém entende isso?

Quem teve o amor desfeito fica impermeável a sons, a palavras, ao mundo. Não adianta cem entre cem dizerem que, calma, tudo passa. Porque na mente do sujeito que teve seu amor desfeito, não há menor vislumbre de uma luz no fim do túnel. Não há túnel. Só escuridão. E na escuridão não há caminhos, só estagnação. Então não pode passar. As músicas falam de nós. As cores na retina são as favoritas do amor que se foi. Os lugares são testemunhas da aposta das fichas de nossas vidas que agora nos olham sem graça como quem diz: “e agora? Perdemos tudo...”. Os cheiros entram pelas narinas, sem nenhum traço da delicadeza que outrora tinham, para arrancar com sua mão pesada a imagem do amor desfeito. Os rostos se resumem a um só, como o vilão de Matrix: o do amor que se foi. As novelas zombam da gente. Os pagodeiros também. Até o cachorro que late para a gente, late ridicularizando o ridículo trapo humano em que nos transformamos. E a gente chora. Os olhos no espelho não são mais os nossos, mas os do Benicio del Toro de tanta papada. Estão roxos. E ainda tem aquela amiga desavisada que nos encontra, sorri e pergunta pelo nosso amor, sem saber que ele está desfeito. Engraçado... o mundo demora para se dar conta do amor desfeito.

Com o amor desfeito, a central de controle da vida fica à deriva, nau sem rumo. Quem diz quando é hora de rir, de comer, de amar? Ninguém, porque o único marujo na cabine de controle da mente está se virando para ver se consegue evitar que o navio afunde. Rir? Comer? Amar?! Isso é luxo para quem busca desesperadamente sobreviver. E a gente chora. Ensopa o colo da mãe, que sofre com a gente como só as mães sofrem. Tamanhos marmanjos se abebezando de novo no ninho materno, o único bálsamo que ameniza 0,1% a situação. Mãe é a morfina da alma de quem teve o amor desfeito. O único remédio não remédio. Precisamos terceirizar a mente: Olcadils, Lexotans, Lexpirides, Lex-Lutor... O mundo é um Lex-Lutor com pedras e pedras de Kriptonita nas mãos apontando para nós, super-homens transformados em sub-homens, Popeyes embrutecidos na alma e enfraquecidos no corpo sem o espinafre diário, ido na sacola da feira do amor desfeito, Sansões carecas e raquíticos, Rei Arthur sem Excalibur, Bochecha sem Claudinho...

E a gente chora. Chora até o sol nascer e constatar, consternado, que o choro continua. Chora na hora do Globo Esporte. Chora na Sessão da Tarde. As novelas, cruéis, nos fazem chorar. Chora com a musiquinha do Jornal Nacional. O que me interessa se a febre aftosa atingiu o gado gaúcho? Dane-se! Meu mundo acabando e o William Bonner preocupado com as vacas! E vou votar Não no plebiscito das armas porque preciso desesperadamente de uma arma. A gente chora, então. Para a lua, que, paciente, nos olha e espera que caiamos no sono de tanto chorar. Mais um dia se vai e a gente nem percebe. A vida gira em torno de um só nome: a do amor desfeito. Ficamos absolutamente monotemáticos.

É preciso gastar. É preciso viver a perda. Acabou e a gente não aceita. Queremos saber por quê? Por que o amor se foi? O que deu nele? Onde errei? Mas ele disse que me amava até ontem à noite, puxa vida? O que mudou? Chama o meu amor desfeito aqui! Ele precisa me dar explicações... As explicações.... as explicações não existem e nem fazem diferença, na verdade. O fato é: acabou. Querer explicações é uma tentativa da mente de continuar pensando no amor que se foi. Se foi. Ponto. E levou junto muita coisa.

O amor desfeito não leva somente o corpo que me dava prazer. Leva a alma que passeava de mãos dadas com a minha nos pensamentos dos planos futuros. Leva um pedaço da história de nossa vida que não tem mais volta. Leva o olhar cúmplice que dividia comigo os sentidos do mundo. Estou órfão de prazer. Estou com um amor desalmado, estou hanseniano de história: pedaços meus estão ficando para trás e não posso fazer nada. Estou impossibilitado de dar sentido ao mundo, mundo completamente sem sentido e dispensável.

E a gente chora. Ou tenta, pois a lágrima secou. Passou o tempo. Tem algo diferente. Já não dói tanto. Mas ainda dói muito. De repente, um vaga-lume. Luz? É. Luz.

De repente, saímos do olho do nosso Katrina particular. Respiramos no ritmo novamente. E o amor desfeito? Ah, o amor desfeito... O amor desfeito deixou em nós a lembrança de que é possível amar, de que o amor existe mesmo. O amor desfeito nos fez perceber que devemos viver a certeza da eternidade do amor enquanto durar, como dizia o poetinha, e que para isso é preciso acreditar que a felicidade só é possível com aquele amor específico, o que não é verdade. A gente pode ser feliz com qualquer pessoa porque a felicidade é intrínseca, vem de dentro. Por outro lado, “tudo na vida é frágil; tudo passa”, como retruca Florbela Espanca, a poetisa da dor. O amor pode passar. É uma possibilidade que não queremos, contra a qual lutamos, mas que não podemos desconsiderar. O amor desfeito nos amadurece ao lembrar que a vida é assim: as coisas vêm e vão. As pessoas vêm e vão. É da própria vida, que veio e um dia irá. O amor desfeito pisca para nós e diz: “Pronto, fiz minha parte na tua vida”. Zecabaleirianamente, ele nos lembra que percorreu a parte da sua estrada no nosso caminho.

Por isso não podemos odiar o amor desfeito. O amor desfeito deve ser amado pelo mundo que nos mostrou, pelos espaços que nos abriu, pelos sonhos que desenhamos juntos. O amor desfeito deve ter seus feitos registrados no livro da antologia universal do amor. As coisas ruins, bom...essas esquece! As boas, essas devem ser vividas e lembradas com carinho. Aquela música, aquele perfume, aquele beijo, aquela noite. Como era perfeito aquele amor desfeito. Mas é preciso que um amor se desfaça para que outro se faça. Um outro tão perfeito quanto. Mais perfeito que.

Quando a gente consegue heroicamente sobreviver ao ciclo do amor desfeito, somos capazes de converter a necessidade inegociável da sua presença em certeza inalienável de sua importância para nosso crescimento afetivo e pessoal. O mundo volta a ter sentido. A lua, num quarto-minguante feito para nós, sorri feliz. Aí a gente entende a razão de ser minguante. Ela sorri quando mingua a dor. O sol ilumina o dia e o céu azul lindo, que estava aí e nossos olhos de ressaca não viam. E chega um novo amor. De repente. De surpresa. E o nosso amor próprio, alquebrado pelo amor desfeito, desenganado pelos pessimistas do mundo, brilha de novo. Refaz-se.

Não há palavra no mundo que expresse a certeza de um amor refeito. Só aqueles que já vivenciaram um momento de abertura a um novo amor sabem o tamanho da alegria plena e verdadeira que inunda a alma e nos devolve a vida, à vida. A gente ri para o teto, anda sem rumo de tão feliz, tem vontade de ligar e conversar por horas, dirige pela cidade formosa pensando em gritar a todos que está amando, que não tem vontade de comer, mas tem muita vontade de viver. O corpo se entrega, jogando-se alucinadamente ao novo amor e deixando toda a responsabilidade de pensar nas responsabilidades do mundo lá fora para a mente que, funcionando a todo vapor, diz para o corpo: “Vai fundo! Aproveita! Carpe Diem!”

O chão do mundo novo é ladrilhado, como na canção de roda. Um tsunami de paixão engole a gente. A sensação de querer tudo e mais é atordoante. E a gente ri. No travesseiro, nos colos dos amigos – que reclamam que foram abandonados por nós depois que entramos no templo da paixão, como diz o Chico César. A gente ri no chão, no banho. Todos os gnomos do setor de produção da adrenalina são convocados para o trabalho. Produção total. Parece que não tem fim.

Chegam as pessoas amigas, famílias, parentes, gente de bom coração. Milhares de palavras sinceras, cafunés, ombros. Felizes por nos ver de volta à vida, sem ser na marra, sem saídas, cinemas, shows, bares forçados. Outros fazendo questão de nos lembrar que disseram que fantasma de amor só se exorciza com um amor real, novo, daqueles de dar friozinho na barriga, como o que sentimos ao ouvir o nome do novo amor. Um amor foi refeito.

Quem teve o amor refeito fica sensível a sons, a palavras, ao mundo. Não adianta cem entre cem dizerem para ir com calma. Bobagem. Porque na mente do sujeito que teve seu amor refeito não há menor vislumbre de calma. Só há luz, energia. Só há movimento. As músicas falam de nós. As cores são as favoritas do amor que se faz. Os lugares testemunhas da aposta das fichas de nossas vidas que agora nos olham vibrantes como quem diz: “Aposta tudo!”. Os cheiros entram pelas narinas para levar delicadamente, com sua bruma leve, a imagem do amor refeito. Os rostos se resumem a um só. As novelas falam da gente. Os pagodeiros também. Até o cachorro que late para a gente, late parabenizando o ridículo humano cheio de amor em que nos transformamos. E a gente ri. Os olhos no espelho são os nossos em seus melhores dias. Estão indisfarcavelmente brilhantes. E ainda tem aquela amiga desavisada que nos encontra, sorri e pergunta pelo nosso ex-amor, sem saber que ele está desfeito. Engraçado... a gente nem lembra mais do amor desfeito... Diz que está amando muito uma pessoa especial, dá dois beijinhos, se despede e corre para encontrar o onipresente novo amor.

Com o amor refeito, a central de controle da vida acha o caminho e descobre novas terras. Toda hora é hora de rir, de comer, de amar. Nosso navio singra os mares, potente, firme. E a gente ri. E traz o sorriso para os lábios da mãe, que ama com a gente como só as mães amam. Tamanhos marmanjos se abebezando de novo no ninho materno, ninho perfeito para descansar depois de um dia feliz. O amor de mãe é o modelo da alma para quem quer um amor refeito. Somos super-homens salvando o mundo das maldades. Popeyes fortificados no braço e no coração com espinafre fresquinho, trazido pelo amor novo. Sansões cabeludos, Rei Arthur empunhando Excalibur, Lennon e McCartney em seus melhores dias.

E a gente ri. Ri até o sol nascer e constatar, feliz, que o riso continua. Ri na hora do Globo Esporte. Ri na Sessão da Tarde. As novelas, engraçadíssimas, nos fazem rolar de rir. Coitadas das vaquinhas bonitinhas que sofrem de febre aftosa. Bem que o mundo poderia ser mais perfeito como o meu e do meu novo amor. E não é que o William Bonner e a Fátima Bernardes fazem um belo casal! E quer saber? voto Sim no plebiscito das armas porque sou pela vida. A gente ri e ri. Para a lua, que, preocupada, nos olha e pergunta se não temos medo de desmaiar de tanto rir. Mais um dia se vai e a gente nem percebe. A vida gira em torno de um só nome: a do amor refeito. Ficamos absolutamente monotemáticos. Sentimos até o cheiro quando pensamos no novo amor.

É. De nada adianta querer apressar as coisas. Tudo vem a seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto, mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo. Queremos apressar o rio e esquecemos que ele corre sozinho. Vemo-nos num labirinto e enlouquecemos. Mas um labirinto é a metáfora da vida: a busca louca pela saída nos faz ignorar a beleza dos descaminhos. Drummond dizia algo com que concordo: muito choro é limpeza de alma. E dizia também: “Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para chegar perto de você”. Basta sorrir.

É preciso fazer com que o cofre de neve que cobre nosso coração, fervente e tropical por natureza, derreta. Então, valeu, ex-amor! Por tudo. Obrigadão e seja muito feliz. Mas dá uma licencinha agora...Venha você aqui pra pertinho, meu novo amor, razão da minha vida. Para sempre. Ou enquanto durar, “posto que é chama”... Devemos não esquecer o poeta para sofrer menos e viver mais felizes.

Sérgio Augusto Freire de Souza
12 de outubro de 2005

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Paulo Leminski num domingo. Quase um erro ou baita acerto?

QUASE

não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase

~ o ~

ERRA UMA VEZ

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

p.lemisnki


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sábado, 29 de novembro de 2008

Marina doente...

Ter uma filha doente nos torna mais crentes em Deus. A gente reaprende a rezar. Por falar em Deus, tem uma falha no seu projeto de pai: a incapacidade de transferência de doenças. Todo pai ou mãe deveria ter o direito de dizer "passa pra mim" e ver, feliz pela recém-adquirida enfermidade, seus amores em forma de gente correndo, rindo e espalhando brinquedos pela sala. Continuo rezando pela melhora da minha caçula, a minha alegria, a minha Marina morena.

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Um Cd para ouvir sempre

BROTHERS IN ARMS, do Dire Straits

Quinto disco do Dire Straits, Brothers in Arms fez sucesso por aqui em 1986. Tem as seguintes faixas:

"So Far Away"
"Money for Nothing"
"Walk of Life"
"Your Latest Trick"
"Why Worry"
"Ride Across the River"
"The Man's Too Strong"
"One World"

"Brothers in Arms"

Todas são do Mark Knopfler. "Money for Nothing" é dele e do Sting, que faz uma participação. Não tem como eu não ouvir isso sem voltar no tempo e lembrar até do cheiro de mato do campus universitário naquele que foi meu primeiro ano de faculdade. "So Far Away" me lembra as aulas de filosofia do Bosco Araújo. O sax de "Your Latest Trick" me faz tremer as carnes de nostalgia. O solo de teclado de "Walk of Life" lembra realmente o novo estilo de vida que se fundava na cabeça de um garoto de 17 anos com as leituras de Henry Lefevre em Sociologia. E "Brothers in Arms", bem... só ouvindo de novo. Vou lá agora.

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Um texto antigo para recordar...

ABC no Céu

“Unidade Educacional Solon de Lucena/Subunidade Educacional Leonilla Marinho/Manaus, 26 de abril de 1975/Diretora: Dalva Pereira Vieira/ Professora: Helena Ferreira de Carvalho/Série: 1ª/Turma: A”. Nunca esqueci esse cabeçalho. Com breves variações, ele me acompanhou durante os quatro anos do meu primário.

Manaus não era tão grande e o Grupo Escolar Leonilla Marinho, uma escola pública modelo, era subordinado ao Solon de Lucena. Lembro com saudade do Grupo, como chamávamos carinhosamente o Leonilla. Jambo & Ruivão, Manda-Chuva, Leão da Montanha e outros personagens feitos de cartolina e pregados no isopor enfeitavam o saguão principal. A escola impecável era imagem da gestão da dona Dalva, a diretora. Não é surpresa para quem trabalha com educação: a escola é a cara de seu gestor. Dona Dalva controlava o Grupo com autoridade. Quando se ouvia sua voz, a palavra que vinha à mente era disciplina.

Era subsecretário ainda quando um dia recebi um recado. Minha secretária disse que a Samara havia ligado dizendo que a missa da professora Helena seria na segunda seguinte, na Igreja de Lourdes e que a dona Dalva estaria lá. Samara é uma das cinco filhas da professora Helena e a professora Helena é a professora do meu cabeçalho da 1ª série.

A última vez que falei com a professora Helena foi quando ela foi à Semed, justamente com a Samara, fazer uma visita de cortesia. Éramos dois orgulhosos. Eu, por apresentar aos que trabalham comigo a pessoa que me ensinou a ler, e ela, por ver um de seus “meninos” em uma função de extrema responsabilidade social. Há anos não a via, mas há presenças que mesmo na ausência se fazem fortes.

Em nossa memória afetiva há sempre um lugar para o que nos constitui, a despeito de distância geográfica ou temporal. O Grupo foi ampliado, perdeu o pátio, não tem mais a disciplina da dona Dalva, a merenda da Chiquinha e nem a Penélope Charmosa na parede. O antigo quadro-verde está órfão de sua maestrina. Sua régua de madeira de 50 cm era a batuta com a qual regia a entrada dos meninos no universo do ABC. A Balainha, que dançava com a Beth Diger nas festas juninas, já não cruza mais seus arcos coloridos no ar.

Fui à missa da professora Helena. A dona Dalva estava lá. O recado da Samara sobre sua presença foi uma forma de mobilizar a disciplina para que eu comparecesse. Nem precisava. Lá estavam várias ex-professoras do Grupo, entre elas a minha mãe, Helena Freire, e a professora Machadinho, além de ex-alunos. Ao dar o abraço silencioso nas filhas, eu chorei. Chorei porque percebi o quanto a professora Helena fez diferença em minha vida. Dei-me conta de que o maior desafio dos professores de hoje é se fazer presentes na memória afetiva de seus alunos para sempre, como a professora Helena Carvalho se faz na minha.

Do meu cabeçalho agora um nome se faz ausente. Bateu a campa do tempo da vida terrestre da minha professora. Mas o Grupo do céu está mais feliz, pois a mesma campa bateu para a entrada lá. Com suas fardinhas brancas e congas azuis impecáveis, os anjos fizeram fila e já foram para a sala. Certamente se levantaram e em voz uníssona, típica das crianças, reverenciaram: “Bom dia, professora Helena!” Ela deu bom-dia sorrindo, batuta à mão, e foi para o quadro ensiná-los a ler. Minha professora sabia fazer isso como ninguém.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

São Paulo e Fluminense

A presidente das eleições de 2008, juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, cassou os registros de candidatura do prefeito eleito Amazonino Mendes (PTB) e do vice, o deputado federal Carlos Souza (PP). A juíza determinou ainda o impedimento da expedição dos diplomas de ambos pelos crimes de captação ilícita de votos por conta da distribuição de vales-combustível e da distribuição de material de propaganda eleitoral realizados, conforme investigações da Polícia Federal, no final da noite de 4 de outubro, véspera do 1º turno das eleições municipais.

Essa notícia tomou conta das manchetes dos jornais de Manaus e deu até no Jornal Nacional de hoje, 28. Segundo o noticiário, se a decisão da juíza for confirmada pelo Pleno do TRE, quem assumirá como prefeito será o segundo colocado, Serafim Corrêa. Final do ano com Papai Noel antecipado? Não. Sinceramente está mais para Primeiro de Abril fora de época.

Amazonino Mendes furou a lei e, portanto, deveria pagar pelos seus pecados. Acontece que em Manaus, diferente do ditado, lex non est dura, sed mollis. Para quem não fez latim, traduzo: a lei não é dura, mas flexível. Vejamos o caso do vereador eleito Henrique Oliveira, apresentador do programa “Fogo Cruzado”. A lei diz que servidor do TRE, caso de Henrique, não pode ter filiação partidária. Quem conduz o pleito não pode ter, literal e retoricamente, partido algum, muito menos concorrer a cargo eletivo. Para apelar para as metáforas futebolísticas de que tanto gosta o presidente, seria mais ou menos como se o juiz do jogo que pode decidir o Brasileirão, São Paulo e Fluminense, fosse sócio-fundador do tricolor paulista. Pode até torcer, mas não se pode declarar partidário. A regra é clara, diria o Arnaldo César Coelho. Pois é. Mas o pleno do TRE (o mesmo que vai julgar Amazonino), por 4 x 2 deu vitória a Henrique e derrota à lei. O juiz Elci Simões, justificando o voto, disse que essa lei é velha, herança da ditadura. Mas, data venia, pelo pouco que entendo de direito – e estou com minha opinião na companhia do procurador eleitoral André Lasmar –, se há lei, ela deve ser cumprida até ser revogada por norma posterior. Rábula abusado eu.

Pela manhã, ouvi na CBN o advogado do dono do posto de combustível envolvido na lambança fazer a defesa de Amazonino com mais veemência do que a de seu cliente. O argumento é um primor. Dizia o advogado que existe no direito o princípio da proporcionalidade. Mesmo que as 420 requisições aprendidas e que são provas nos autos do processo fossem multiplicadas por dez, isso seria muito pouco frente aos mais de 120 mil votos de diferença de Amazonino para Serafim. Deixa-se de discutir a qualidade da transgressão e se passa a focar a quantidade. É a versão jurídica do “estupra, mas não mata”. Foi só um escapadinha, um deslize, um fraquejo. Só a cabecinha, diriam os mais sexualmente metafóricos. Aparte: o risinho sem graça do Ronaldo Tiradentes ao perceber que mesmo remotamente Serafim poderia voltar a ser prefeito foi indisfarçável. Deu para ver no rádio. Juro.

Contra-argumentos já pululam na defesa de Amazonino. Nos blogs, vejo opiniões que vão do “deixem o Amazonino em paz!” – como se isso fosse uma questão de picuinha de vizinhos – até “a vontade do povo precisa ser respeitada” – como se isso justificasse passar por cima da lei. Linchamento é pura vontade do povo também. Que há margem de interpretação em qualquer lei, não há dúvida, pois é linguagem. É por aí que a decisão de engavetar mais essa deve vir. Sou cético. Para mim, Primeiro de Abril 1 x 0 Papai Noel. Ponho mais fé que meu Flu vai estragar a festa do São Paulo domingo. É fogo. Cruzado.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A super-sincera...

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Deus me livre!

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"Vista Cansada", de Otto Lara Resende.

“Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença”.

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De repente, li e me identifiquei...


Trocaria a jabuticaba por pitombas e o cargo de secretário do coral por qualquer outro pelo qual vivem brigando. No resto, assino embaixo. Na foto, minha vozinha chupando pitomba.

"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos...

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos à limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a "última hora"; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto delas nunca será perda de tempo."

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Começou antes de começar

Não há eleição que não coloque a educação no meio das promessas e mudanças. Todos reclamam da qualidade da educação, do baixo desempenho dos alunos nas avaliações, dos baixos salários dos professores. Por conta disso, em véspera de pleito, a educação nórdica é prometida: rever Plano de Cargos e Salários dos professores, implantar escolas de tempo integral, construir mais creches. Na eleição para prefeito, o então candidato Amazonino Mendes prometeu até colocar as crianças em escolas particulares para acabar com o intermediário, além de garantir dar o que já existe: merenda e fardamento de qualidade.

De onde vem o dinheiro para que seja feito o que se promete? Fundamentalmente de duas fontes: do repasse do FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - feito pelo Governo Federal e dos recursos próprios da Prefeitura. O repasse do FUNDEB é feito em função do número de alunos matriculados nos dois níveis que o Município atende, a Educação Infantil e Ensino Fundamental. Dos recursos próprios, a Constituição define para os Municípios a aplicação em educação de percentual mínimo de 25% da receita proveniente de impostos, facultando um percentual maior a ser definido na Lei Orgânica do Município. Em Manaus, a Lei Orgânica prevê em seu Art. 354 o investimento de 30%.

Como não há mágica na administração pública, mas lógica, conclui-se: para fazer mais é preciso aumentar os recursos ou redimensionar os existentes em função de outras prioridades. O problema é que querem diminuir. O prefeito Serafim Corrêa enviou à Câmara proposta de emenda à Lei Orgânica solicitando a redução dos 30% atuais para 25%, a pedido do prefeito eleito Amazonino Mendes. Uma vitória histórica, o percentual maior do que o previsto na Constituição ameaça ir para o saco, numa clara sinalização de que a educação não será a prioridade decantada nas promessas de campanha. Ou então o prefeito eleito é mágico: como reduzir em mais de R$ 100 milhões o que estava previsto para a educação no orçamento e fazer a miríade de coisas que prometeu?

Ainda por cima, temos que agüentar o vereador Fabrício Lima dizendo que “estão transformando a discussão em cavalo de batalha”. A educação, esquece-se o edil, é um dos cavalos de batalha da sociedade, sim. Tudo bem que Fabrício Lima precisa garantir um lugar ao sol, depois de ser limado da Câmara pelos eleitores, mas defender a redução de recursos da educação é demais. Não vale a puxada de saco. Pergunto: cadê o Sindicato dos Professores? Onde estão os estudantes que não pintam as caras? E o Ministério Público, tão atuante nos últimos quatro anos?

O prefeito Serafim Corrêa não está sendo cavalheiro com o prefeito eleito, como pode parecer. Está sendo permissivo, deixando Amazonino administrar a cidade desde já. Como prefeito de direito, Serafim deveria se negar a acatar esse pedido e deixar que o ônus político da decisão coubesse ao prefeito eleito no próximo orçamento. Porque lá na frente Amazonino, com sua fleuma peculiar, ainda vai dizer que quem reduziu o percentual foi Serafim.

A mim pouca surpresa causam iniciativas dessa linha. O novo aqui é que dessa vez o troço começou antes de começar.

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Drummond e o discurso... eis um poema discursivo.

Verdade 

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.



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sábado, 22 de novembro de 2008

Flifloresta

Foi muito bom participar do Flifloresta ontem. Estive numa mesa sobre leitura junto com o professor Marcos Krüger, mesa essa mediada pelo Gabriel Albuquerque. De novo, eis que surge a Arca. Pena não ter dado tempo de debater, pois o auditório da UEA tinha de ser entregue a outro evento. Mas vou responder as perguntas aqui. Aguardem.

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Brincar!

Saiba_Arnaldo Antunes

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Flifloresta

Manaus vive nesta semana o Flifloresta, o Festival Literário Internacional da Floresta. O Festival, promovido pelo Instituto Valer e vários parceiros, discute duas grandes questões por meio de dois simpósios: o Simpósio de Cultura e Natureza na Amazônia e o o Simpósio de Leitura e Formação de Leitores.

A Amazônia está na agenda mundial. É necessário discutir e tomar ações propositivas em relação ao que queremos como cidadãos amazonidas, sem bairrismos imobilizantes e sem adesismo globalizantes. Assusta-me sobremaneira discursos xenófobos de proteção à Amazônia que ficam cegos aos inimigos internos, muitas vezes mais perigosos para a sustentabilidade da Região do que o perigo externo. Assombro-me igualmente com o descaso como regulador de destino, assim pensado por aqueles que acreditam não ser necessária nenhuma ação reguladora porque a coisa aconteceria numa dinâmica própria. Nem lá, nem cá. A virtude, diriam os gregos, está no meio.

Quanto à leitura, parece que o grande desafio é a ultrapassagem da tecnologia. Explico. A leitura ainda continua sendo vista e fortemente trabalhada como o processo de aquisição da tecnologia da escrita, a alfabetização. Por isso, a tristeza dos educadores com o baixíssimo nível de compreensão dos alunos em relação àquilo que lêem. Lêem, mas não entendem. Aprenderam a tecnologia, mas não sabem fazer uso dela. Segundo o IBGE, com dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, da população brasileira, 11% são analfabetos. Isto representa 20,8 milhões de pessoas. Assustado? Mas esse é o número das pessoas que não sabem ler e escrever nada. Há aqueles que sabem ler e escrever, mas não sabem fazer sentido algum do que lêem e nem escrevem algo coerente. Aí o número é um soco no estômago: 32% da população. Cerca 60,5 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais, segundo dados do Índice Nacional de Alfebetismo Funcional, pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa. Detalhe: 2% das pessoas com nível superior são analfabetos funcionais. É para pensar e muito.

Como se altera isso? Minha aposta é na mudança conceitual. O conceito de leitura, como afirmei, deve ultrapassar o domínio da tecnologia da escrita. É preciso ir além. Além de alfabetizado, o aluno precisa ser sujeito de práticas de letramento que o introduzam na cultura da escrita não como um mero copista, mas como ele próprio produtor de textos. Assim, ele terá condições de discutir não só Amazônia e Leitura, mas também Democracia, Política, Cidadania e muitos outros assuntos constitutivos de sua subjetividade cidadã. Se sairmos da alfabetização para o letramento, o deslocamento será significativo. É necessário cada um assumir seu novo papel na mudança conceitual: professores, alunos, escola, governo, terceiro setor.

O Flifloresta é uma dessas atividades que fazem a diferença. E faz diferença porque ajuda a criar uma nova memória social sobre o ato de ler em Manaus. Sexta-feira à tarde , estarei participando de uma mesa sobre leitura juntamente com o professor Marcos Krüger, no auditório da UEA. E, claro, levarei minhas filhas ao Parque dos Bilhares para aproveitarem as atividades do Florestinha, com seus espaços dedicados às crianças. Imperdível.

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Frase do dia

“A oportunidade dança com aqueles que já estão no salão.” H. Jackson Brown

Não dá para esperar o bonde da história passar. Ai de nós se não formos atrás dele na estação...

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domingo, 16 de novembro de 2008

A imagem significa por si só?

Fiquei aqui pensando no papel do verbal sobre o não-verbal...




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Propaganda é a alma do negócio.


Este anúncio é bem direto. Alguns anos atrás mandaria para meu primo Amaro, que enrolou a moça por uns onze anos...


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Frase do dia

“Tamanho não é documento e dinheiro não traz felicidade”.
(Autor desconhecido, pobre e de pinto pequeno)

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Sinceridade no MSN...

Olha o que achei navegando por aí. Show.


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Essa é boa...

Os relacionamentos tambem podem ser classificados, assim como programas de computador:

FICANTE —> Versão Alpha
NAMORADA —> Versão Beta
NOIVA —> Versão Trial
ESPOSA —> Versão Registrada
AMANTE —> Versão Crackeada
SOGRA —> Vírus Trojan Horse (Ferra com você)

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Em off, mas trabalhando pacas!

Andei meu desligado do blog. Também não tenho atualizado meu site. Muito trabalho e pouca disciplina. Mas acho que o Mestrado em Letras da UFAM sai. Parte desse trabalho de que falei foi acompanhar os consultores da CAPES na avaliação. O doutorado com a Federal de Santa Catarina, que também coordeno por aqui, também vai sair. Essa semana finalizamos o projeto de financiamento e enviamos. Fora isso, aulas e família, claro. Semana que vem, estou na UNINORTE para uma palestra para os alunos de direito; na terça à tarde, uma palestra sobre Aquisição de Linguagem na Semana de Línguas Estrangeiras na UFAM e na Sexta tarde à participação numa mesa sobre leitura no FLIFLORESTA. Semana de palestrante... Vou ver se volto a escrever com mais regularidade.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Mais tirinhas...

Já que estou nas tirinhas, essa tem a ver com linguagem. Em Roma com os romanos...

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Sintomas de fracassos: já vi esse filme...

Primeiro é a panela, depois a megalomania e os delírios. Vejo isso todo dia no trabalho...

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Halloween

Achei essa tira genial. Puristas, sociólogos e antropólogos, se deliciem:

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Eu tenho tudo.

Aconteceu com uma professora que dava aula a seus alunos sobre as diferenças entre os ricos e os pobres.

Na aula, Julinha levanta o dedo e pede para falar, toda gabola:
"Professora, meu pai tem tudo: Televisão, telescópio, DVD..."
"Tudo bem, diz a professora, mas será que ele tem uma lancha?
Julinha reflete e diz: "É, não... Lancha ele não tem..."
A professora diz:"Estão vendo. É como eu disse: não podemos ter tudo na vida."
"Professora", disse Arturzinho, "O meu pai tem tudo: ele tem TV, telescópio, DVD, lancha..."
"Sim", responde a professora, "mas será que ele tem um avião particular?"
Depois de refletir, Arturzinho responde: "Não, professora. Avião ele não tem"...
"Está vendo que não se pode ter tudo na vida", disse a professora.
O Clemilson levanta o dedo e diz:
"Professora, mas o meu pai tem tudo. Tenho certeza".
"Como assim, Clemilsinho? Tudo mesmo?!"
"Tudo. Pelo menos domingo passado, quando minha irmã disse que tinha votado no Amazonino, ele disse: 'Era só isso que me faltava!'. Ele deve ter tudo, professora"...

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Contardo Calligaris

Contardo , hoje na Folha de São Paulo:

Dormindo com inimigos?


A paixão de Lindemberg era um argumento para que atiradores de elite apertassem o gatilho

COMO MUITOS pelo Brasil afora, assisti ao extenuante drama de Eloá Pimentel, 15, seqüestrada durante cem horas e, no fim, morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, 22, em Santo André, São Paulo.
Como muitos, achei absurda a decisão das autoridades, durante as negociações, de mandar de volta para o cativeiro a amiga de Eloá, Nayara -que por sorte se salvou, embora baleada no rosto. E descobri, consternado, que o Grupo de Ações Táticas Especiais não dispõe de microcâmeras que funcionem nem de escadas que alcancem uma janela do segundo andar.
Fora isso, uma frase cativou minha atenção. No sábado passado, Ana Cristina Pimentel, a mãe de Eloá, declarou a Britto Jr. (TV Record) que "a polícia teve muito tempo para matar" Lindemberg e que os policiais deveriam ter atirado nele muito antes do desfecho.
Lembrei-me de que alguém da PM -talvez o próprio coronel Félix (não consegui reencontrar a reportagem)- afirmara que os atiradores de elite tiveram várias ocasiões para matar o seqüestrador, mas a ordem de atirar não foi dada por se tratar de um seqüestro motivado por razões, digamos assim, não torpes.
Nada de assalto, extorsão etc. Lindemberg e Eloá tinham sido namorados, e era na exaltação de uma paixão amorosa (por doentia que fosse) que Lindemberg estava cometendo aquela loucura e ameaçando acabar com Eloá e, depois disso, matar-se.
Aparentemente, a PM pensou que os sentimentos de Lindemberg tornassem menos provável que ele passasse das ameaças aos atos.
Curiosamente, eu pensava exatamente o contrário: a paixão de Lindemberg por Eloá me parecia aumentar as possibilidades de um desfecho fatal e constituir um argumento para que os atiradores de elite apertassem o gatilho. Por quê?
Não sei se existem estatísticas comparando o desenlace dos seqüestros perpetrados por razões torpes ao dos que são motivados pelos malogros do amor (separações não aceitas, ciúmes, despeito da rejeição e por aí vai).
Mas imagine, por um instante, que Lindemberg fosse um assaltante qualquer: por acaso, ele entrou no apartamento dos Pimentel para roubar e aí ficou, com duas reféns, encurralado pela polícia. Sem dúvida, ele ameaçaria matar as adolescentes para negociar uma chance de fuga. No entanto, quando os policiais arrombassem a porta, sua maior preocupação seria a de salvar a pele; ele poderia instintivamente reagir atirando nos invasores (e seria crivado de balas) ou abrigar-se atrás de uma das adolescentes, usando-a como escudo numa última tentativa de defesa. Mas por que mataria as reféns? Para ser morto a tiros na hora? Ou, se não fosse morto, para aumentar o número de anos que passaria na cadeia?
Claro, as ações de um criminoso acuado não são necessariamente racionais. No paroxismo dos breves segundos da invasão, um seqüestrador qualquer poderia atirar em suas reféns, por exemplo, para se vingar da "traição" dos negociadores que, certamente, prometeram-lhe salvação e liberdade. Mas é apenas uma possibilidade, enquanto Lindemberg, como ele havia dito explicitamente à mãe de Eloá, viera com o propósito de "fazer uma besteira": matar Eloá e matar-se (quem sabe, um jeito de ficar com sua amada para sempre). Para ele, a urgência, na hora da invasão, seria (e foi mesmo) a de levar a cabo sua tarefa. Faltou-lhe apenas a coragem (ou o tempo) de se dar um tiro.
Em suma, paradoxo: justamente porque o seqüestro não tinha razões "torpes", os atiradores da PM deveriam ter sido liberados para atirar.
A exposição midiática do caso fez que o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, fosse reconhecido pela polícia de Alagoas como um foragido, suspeito de vários crimes, entre os quais o de ter matado a ex-mulher, em 1992. Por intermédio de seu advogado, Santos declarou: "Jamais cometeria um crime bárbaro contra uma mulher que tanto amei". Faz sentido, não? E a PM paulistana pensou parecido: Lindemberg não mataria Eloá, que ele tanto amava.
A verdadeira paixão amorosa não é exatamente um "bom sentimento". O apaixonado acredita no objeto de amor (que, de fato, ele inventa) assim como, nos transtornos mais graves, um indivíduo acredita em suas alucinações. Com uma diferença: contrariamente ao alucinado, o apaixonado não consegue renunciar a uma visão que é para ele, às vezes, a prova única e indiscutível de que ele não está só no mundo e de que a vida e a morte fazem sentido.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sempre dá para mudar o fim...

Ana Carolina, falando por nós.

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Cecília Meireles









"Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?


E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão..."

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Viciado em Orkut

Uma piadinha para levantar o astral...

O menino era viciado em orkut. Cansada daquilo, um dia sua mãe o levou para o culto na igreja no domingo.
Chegando lá o pastor pergunta a ele:
- Rapaz, você aceita Jesus?
O menino responde rápido:
-Só se ele me mandar um scrap!

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Artigo Censurado

Pela primeira vez meu artigo foi censurado no jornal. É a força do poder simbólico. Quem mandou eu falar do vice-prefeito eleito... Vai, então, para os leitores do blog:

PARÁFRASES

Amazonino Mendes é o prefeito eleito de Manaus. Ao repetir o óbvio, gostaria de acenar para as paráfrases contidas nessa frase. O que está sendo dito ao se dizer que Amazonino ganhou?

Está sendo dito, entre outras coisas, que Serafim Corrêa perdeu. Serafim sai fortalecido para o futuro, mas inequivocadamente derrotado no presente, repetindo a história da sua eleição. Naquele 2004, não foi Serafim que levou, mas Amazonino que foi derrotado para sua rejeição. Em 2007, Serafim perdeu pela incapacidade de transformar a boa política em resultado eleitoral. Ainda que o discurso político não lhe permita falar em derrota, o que é compreensível, o prefeito foi vencido pela comunicação pífia no início da administração e por algumas escolhas políticas equivocadas quando das divergências internas de seu grupo. Registre-se que Serafim fez uma administração admirável do ponto de vista republicano: concurso, transparência, moralidade, bom uso do nosso dinheiro. Acusaram-no de lentidão, mas quando a coisa é feita direita é lenta mesmo. Sei porque participei de sua administração e lembro o quanto sofremos pelos trâmites demorados da legislação. Por esse prisma, aliás, espero que a administração do novo prefeito não seja tão rápida se o preço for o arrepio da lei.

Mais paráfrase: Ari Moutinho vai para a Câmara dos Deputados no lugar de Carlos Souza. Até quando a legislação brasileira vai permitir esses esquemas de acomodação de políticos sem mandatos ou que ainda devem esclarecimentos à justiça? Até quando ficaremos tentados a fazer trocadilhos de imunidade com impunidade? Quem ganha com isso, não sei. Mas quem perde somos nós, população.

Outra paráfrase que se escuta na frase: Carlos Souza vai ser prefeito por dois anos. Não precisa ser futurólogo para saber como caminha o xadrez político. Minha discordância com o futuro prefeito Souza é de visão de mundo e de sociedade. Não consigo pensar em usar o mundo cão como paradigma de ações. Quem pensa assim não consegue agir para reduzi-lo, pois perde o próprio referencial. Ao contrário: quanto pior, melhor. A miséria fortalece quem dela se sustenta. Ainda me queima a retina a cena de Souza e Sabino de braços dados com o bandido Paulinho Perneta, parecendo uma quadrilha. De São João, claro. Alguém que quer substituir a polícia e a justiça não me agrada com uma caneta tão pesada quanto à de prefeito na mão.

Um dado positivo: a oposição tão forte que se fez ao prefeito por ousar fazer uma política de outro modelo acabou por gerar uma sociedade mais atenta. Vamos esperar do Ministério Público a mesma vigilância. Vamos cobrar da imprensa os mesmos olhos de lince. No mundo midizatizado, promessas se registram. Para se ter mil creches é preciso fazer uma a cada um dia e meio. Quero meus 20% de desconto no IPTU. Vou cobrar o fim imediato do turno intermediário nas escolas e juro que vou morrer de inveja: quando fui subscretário o máximo que consiguimos em três anos foi reduzi-lo em 30%.

Meu desejo sincero é o de que o prefeito eleito conduza nossa cidade da melhor forma possível para a população. Um paráfrase positiva final: a Democracia funciona, a rotatividade faz parte. Quem venceu que administre. Quem perdeu que fiscalize. É assim.

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domingo, 26 de outubro de 2008

Luto Político


Pelo andar da carruagem das apurações, o prefeito Serafim não deve se reeleger. Como cidadão manauara, sinto muito e termino meu domingo em luto político. Quatro anos a minha cidade ficará nas mãos de um grupo pouco confiável. Minhas filhas moram aqui. Por isso, sinto mais ainda.

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sábado, 25 de outubro de 2008

Metáforas: vasos

Vaso Chinês

Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara, que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado, e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada até a casa, enquanto o rachado chegava meio vazio. Por longo tempo a coisa foi em frente assim, com a senhora que chegava em casa com somente um vaso e meio de água. Naturalmente, o vaso perfeito estava muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer. Depois de dois anos, refletindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho:

- Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho
me faz perder metade da água durante o caminho até sua casa...

A velhinha sorriu:

- Você reparou que lindas flores foram semeadas do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito, portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas.

Por dois anos, recolho belíssimas flores para enfeitar a mesa deste lar. Se tu não fosses como és, eu não teria essas maravilhas enfeitando a minha casa. Cada um de nós tem o próprio limite. Mas o limite de cada um é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é. E descobrir o que tem de bom nele.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Contardo Calligaris

Sou fã de carteirinha de Calligaris, que escreve às quintas na Folha de São Paulo. Reproduzo seu texto dessa semana:


A SEXUALIDADE DE QUEM GOVERNA


As fantasias que sustentam o desejo nos definem mais do que o gênero do parceiro

SERÁ QUE que a vida sexual de quem se candidata a governar é relevante para os eleitores? Há duas "escolas" de pensamento: a francesa e a dos EUA.
Para os franceses, em princípio, a vida amorosa e sexual dos governantes não tem relação com as qualidades morais que importam na vida pública. Portanto, é raro que, no debate político, apareçam "detalhes" privados (amantes, filhos fora do casamento etc.).
Nos EUA, ao contrário, a intimidade de governantes e candidatos é vasculhada. Talvez os norte-americanos sejam simplesmente mais moralistas do que os franceses. Ou talvez eles acreditem que uma vida privada libertina (ou não conforme a regra) prometa uma condução desregrada da coisa pública. Algo assim: quem não resiste à paixão (nem para compor o cartão-postal da campanha) colocará sua "tara" acima de seu dever.
É um enigma: os norte-americanos prezam a liberdade de cada um viver como ele bem entende, mas pedem que quem governa seja um exemplo de conformismo. E, em regra, o conformismo de quem governa (sobretudo se for só aparente) transforma-se em exigência de conformidade para todos.
O Brasil é outro enigma: a relevância política da vida amorosa e sexual dos governantes parece mínima, como se o público e o privado fossem domínios claramente distintos. Por outro lado, a esfera pública é brutalmente parasitada pelos interesses privados (corrupção, clientelismo).
Seja como for, nessa história, o que mais me impressiona é a ingenuidade com a qual é composto o "perfil" sexual e amoroso de candidatos e governantes. Nas campanhas eleitorais dos EUA, por exemplo, os candidatos levam consigo mulher e filhos; supõe-se que essa exibição valha como um atestado de "normalidade", enquanto, no máximo, ela indica qual é orientação sexual do candidato (e olhe lá) e qual sua aptidão para multiplicar-se.
Ora, se nossa vida sexual e amorosa diz algo sobre quem somos, não é graças à nossa orientação ou à nossa capacidade de procriar. Do lado amoroso, seria mais significativo considerar qual é o respeito pela singularidade do parceiro, qual a virulência da idealização ou do ciúme, qual a parte de narcisismo etc. Do lado sexual, muito mais que o gênero do parceiro escolhido (ou exibido), o que define um indivíduo são as fantasias (implícitas ou explícitas, realizadas ou não) que sustentam seu desejo.
Ou seja, se quisesse conhecer a vida sexual e amorosa de um candidato, precisaria saber não tanto quem ele ama, mas qual é seu jeito de amar, e não tanto com quem, mas COMO ele "transa" - ou seja, o que o excita, quais pensamentos, quais situações, quais palavras. Também me perguntaria se o candidato tem mesmo uma vida sexual (com que freqüência e intensidade) e se ele aceita sua própria sexualidade ou a vive com nojo ou asco.
Tudo isso, caso eu quisesse saber um mínimo sobre a vida amorosa e sexual de um candidato. Mas será que isso me seria útil na hora de votar? E de que forma?
Michel Foucault talvez seja o pensador que melhor desmascarou e contestou os mecanismos do poder moderno (isso, apesar de sua histórica burrada ao avaliar positivamente o regime dos aiatolás no Irã). Como ele mesmo revelava, sua sexualidade se alimentava em fantasias e práticas sadomasoquistas. Pergunta: sua perspicácia e seu engajamento libertários se deram apesar de suas fantasias sexuais ou por causa delas? Não sei.
A pergunta não é urgente: infelizmente, no estado atual de nossa sociedade, é improvável que candidatos e candidatas a cargos de governo falem publicamente do que importa em sua vida sexual e amorosa.
Fico apenas com esta idéia: em geral, um governante que aceita e vive suas próprias fantasias é, para mim, preferível a outro que as reprime, pois a falta de indulgência consigo mesmo promete rigidez hipócrita para com os outros. Também, o exercício da sexualidade introduz em todas as fantasias uma descontinuidade: a "brincadeira" termina quando acaba a relação sexual. Voltando ao exemplo de Foucault, quem goza sexualmente com os apetrechos do sadomasoquismo dificilmente consegue não achar risível a face sisuda do poder.
Mais um ponto: salvo ilegalidade, em matéria de sexo, minha regra geral é que só o interessado tem o direito de falar. A voz de um terceiro sempre ressoa como uma denúncia que faz apelo ao preconceito -ou seja, certamente não ao que tem de melhor em nós.

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O Correto e o Justo

Dois juízes encontram-se no estacionamento de um motel e reparam que cada um estava com a mulher do outro. Após alguns instantes de 'saia justa', em tom solene e respeitoso, um diz ao outro:
- Nobre colega, creio eu que o CORRETO seria que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher volte com Vossa Excelência no seu.
Ao que o outro respondeu:
- Concordo plenamente, nobre colega, que isso seria o CORRETO. No entanto, não seria JUSTO, levando-se em consideração que vocês estão saindo e nós estamos entrando.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Comparação


Recebi isso por e-mail e achei genial.


Comparação.

Denúncias de Corrupção.

De dois candidatos a prefeito, você vai escolher um.

Um teve vários aliados envolvidos no escândalo das licitações no Amazonas, em 2004.

O outro...

Um é acusado de manter empresas, jornais, rádios e supermercados no nome de amigos "laranjas".

O outro...

Um foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva, no escândalo da compra de geradores da CEAM.

O outro...

Um virou manchete nacional pela Mansão do Tarumã, avaliada em R$ 5 milhões, e cujo valor declarou ser R$ 300 mil.

O outro...

Um foi acusado de pagar R$ 200 mil por cada voto pela reeleição de FHC, em 1997.

O outro...

Um é o Amazonino, o outro... é o outro.

Vote no outro. Vote na honestidade. Vote na honradez. Vote SERAFIM - 40.

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Mais Quintana...

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!



Mario Quintana - A Cor do Invisível

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fugacidade

Para os que procrastinam as belezas da vida, uma dose de Mário Quintana.

"O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."

Mário Quintana

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aniversário do meu pai

Hoje é aniversário do meu pai. Posto um texto que escrevi pra ele, no dia dos pais. Te amo, meu querido, meu velho, meu amigo.


PAI

Que me desculpem os outros filhos, mas o meu pai é o melhor pai do mundo. Podem discordar, mas continuarei achando. É porque vocês não são filhos do meu pai. Se fossem saberiam do que falo.

Meu pai tem um coração maior do que amor pelo seu Botafogo. Jamais conhecerei alguém tão bondoso. Seu corpo é feito de coronárias: um grande coração no qual circula bondade.

Do seu jeito pouco falante para essas coisas, meu pai sempre desejou, como na música, ver seus filhos pisando firme, sorrindo alto, cantando livres. Nós, cada um a seu modo, pisamos firme porque tivemos sua mão a nos segurar em vários momentos em que mais precisávamos. E não a tivemos na hora em que, paciente e sabiamente, ele e a mãe saiam de cena para que pudéssemos crescer. Sorrimos todos, paizinho, bem alto. Somos uma família feliz. Cantamos livres, cada um no seu tom, as músicas de respeito ao próximo, de sacação do mundo.

Pai, obrigado por mostrar que filho é filho. E o que importa é a felicidade dele. Essa lição eu vou levar para a vida da Ana Clara e da Marina. Não esqueço, paizinho, de quando tu me esperavas no carro, enquanto eu estudava, para que eu não voltasse de ônibus tarde. Quanto amor e dedicação. Que pai invejável! Que pai lindo!

Agradeço a meu pai pela torcida nas grandes e pequenas coisas. Nos campeonatos de futebol, lá estava seu Jefferson atrás do gol com a camisa do time. Nas gincanas, seu Jefferson corria atrás de ouriço de castanha, objeto da prova, como se fosse sua vida. E era. Eram seus filhos que estavam ali. Nos jogos de futebol de mesa, seus gritos de gol ao ver a bola bater na rede dos adversários rasgavam a sala. Torcia para fazer gol só para ver meu pai vibrar. Era melhor que próprio gol. Nas vitórias, seu punho cerrado no ar, como a dizer “eu sabia! Esse é o meu filho!”. Guardo com carinho seus olhos gordos de alegria quando falei ter sido aprovado no doutorado na Unicamp. O orgulho de missão cumprida, a despeito das dificuldades dessa vida que tanto o maltratou. Mas as dificuldades foram, sabiamente, transformadas em lições de vida e não em amargura.

Fico fascinado com sua capacidade de saber o nome de todas as repórteres bonitas da tv. Fico encantado com suas soluções para situações nas quais todos jogariam a toalha facilmente. Fico deslumbrado com seu pensamento rápido, que em dobradinha com seu senso de humor, fazem a vida mais feliz.

Aprendi o amor recebido do meu pai para dar a duas coisinhas que dependem de mim, frágeis, inseguras, começando a vida. Que minhas filhas tenham o privilégio de brincar de carneirinho-carneirinho contigo. Se eu conseguir ser dez por cento seu Jefferson nesse papel de pai, minhas meninas vão viver no mundo pisando firme, cantando alto e sorrindo livre. Fica aqui por muito tempo, meu pai, meu querido, meu velho, meu amigo. Ainda há muito mais a aprender contigo.

Eu te amo, pai. E vou te dizer todos os dias até quando Deus disser que está na hora do nosso vôo solo. Aí eu e minhas filhas, olhando para a estrela mais brilhante do céu, diremos, dedinhos apontados para cima, “eu te amo, pai”, “nos te amamos, vovô”. E nos encontraremos em sonhos. Do filho que os outros filhos dizem, ingrata e injustamente, ser o preferido. Dinho.



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domingo, 19 de outubro de 2008

Soneto da Ana Clara

Este é o da Clara.

ANA CLARA

Minha alegria, és o meu futuro
Tu que habitas da tua mãe o ventre
Com tua imagem toda dor eu curo
Felicidade chega e eu digo: entre!

Por ti transponho o mais alto muro
Por ti repouso meu coração dentre
As agonias, tua presença centre
Tua clara luz sobre meu mundo escuro

O teu relevo alto me anuncia
Um som que em breve a boca balbucia
Em incompreensíveis sílabas de amor

E me amorteces toda e qualquer dor
Pois tua vinda, filha, prenuncia
O meu jardim em minha primeira flor

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Soneto da Marina

Gosto muito de escrever sonetos. Este eu fiz para a Marina, minha caçula.

SONETO PARA A SEGUNDA FILHA

Soneto para a segunda filha (01.12.2006)

Tu, que chegas sem nenhum alarde
Vens de repente numa alquimia
No meio do dia, era ainda à tarde,
A tua irmã ainda nem dormia

Tu, que te apresentas para ser amada
Por conta própria cruzaste muralhas
Chegou bem de mansinho e bem calada
E no ventre da tua mãe te agasalhas

Tu, pequena coisa ousada e destemida
Veio rasgando espaço atrás de vida
Sabes que tu terás senão amor

E trazes na tua vinda aguerrida
Escrito nas pétalas da margarida
“Do teu jardim, pai, sou a segunda flor”

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Eu no tempo

Olha quão interessante eu teria sido em diversas épocas. O site que fez o túnel do tempo é o http://www.yearbookyourself.com.

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